Somente a absolvição da deputada Liliane Roriz (PTB), tanto na Justiça quanto na Comissão de Ética da Câmara Legislativa, já mudaria completamente o cenário político atual. No entanto, a recondução dos integrantes da Mesa, com exceção da presidente afastada Celina Leão (PPS), complica ainda mais a relação do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) com o legislativo.
Explico: os deputados, com quase a totalidade, retornarão ao comando da Casa com sangue nos olhos. Todos entenderam que o Buriti torceu para que uma nova Mesa permanecesse definitivamente e assim o Palácio tivesse tranquilidade para aprovar o que precisa até o fim do ano.
Mesmo com Celina afastada, a Mesa original não deve estar morrendo de amores pelo chefe do Executivo. Chego a arriscar que a maré calma que o barquinho de Rollemberg vinha navegando chegou ao fim.
Tanto a Mesa quanto outros deputados não querem ver o socialista pintado de ouro, sem ironia. Isso, sem dúvida, dificultará ainda mais a aprovação de projetos importantes do governo. Leia-se, com isso, a implantação de Organizações Sociais, créditos suplementares e ainda a Lei Orçamentária Anual(LOA), que deve ser analisada no início de dezembro.
O governador deu uma tremenda bola fora em abandonar, por exemplo, a distrital Liliane Roriz. No afã de se livrar das complicações das denúncias que envolvem parlamentares, Rollemberg perdeu tranquilamente mais um voto. Liliane retorna forte, sem ficar na corda bamba, e pronta para até disputar um cargo mais expressivo nas próximas eleições.
Celina, apesar de adversária pessoal de Liliane, e mesmo em situação delicada, articulará muito para prejudicar no que for possível. Essa é a minha leitura. Com ela, possivelmente os deputados Bispo Renato (PR) e Raimundo Ribeiro (PPS) devem engrossar o coro contra o socialista.
Não estranharei que Júlio Cesar (PRB) também pule fora do governo. Rollemberg precisa mais dele do que o inverso. O deputado tem a igreja, emissora de televisão e muitos deputados federais que podem ajuda-lo nessa briga. E quem Rollemberg tem?
Nessa mesma linha, os distritais começaram a perceber que apoiar o governo não é lá uma coisa promissora. Hoje, muito espaço e prestígio. Amanhã, o limbo. Os deputados Lira, Raimundo Ribeiro e Joe Valle sabem do que estou falando.
Pregar uma nova forma de fazer política, mas insistindo em velhas práticas não é a melhor solução e as sucessivas derrotas de Rollemberg nos últimos dias provam isso.
Sabem que não sou de errar minhas projeções, e minha visão não me dá outra possibilidade. Mesmo com o apoio do ainda presidente interino Juarezão (PSB), não vejo outra coisa que não seja o isolamento de Juarezão na Câmara Legislativa e o desfavorecimento de Rodrigo Rollemberg. Ou vice-versa. E ponto final.
Fonte: Redação
