As novas rodadas da pesquisa Atlas/Intel não apenas redesenham o cenário da sucessão presidencial de 2026, como também acendem alertas importantes nos bastidores da política do Distrito Federal.
A fotografia do momento mostra um país polarizado, com movimentos claros de crescimento e rejeição — e Brasília, como sempre, reage antes.
Rejeição alta, disputa apertada e um dado que chama atenção
Os números de rejeição dos pré-candidatos mostram um cenário ainda instável:
- Lula (PT) lidera a rejeição, com quase metade do eleitorado afirmando não votar nele.
- Flávio Bolsonaro aparece logo atrás, encostando tecnicamente.
- Outros nomes da direita — como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. — têm rejeições menores, mas ainda não conseguiram se consolidar nacionalmente.

Esse dado ajuda a explicar o segundo turno simulado: Lula cai quatro pontos em um mês, enquanto Flávio cresce na mesma proporção, encostando perigosamente.
O efeito Brasília: política nacional vira combustível local
No DF, esse tipo de movimento não fica restrito ao noticiário nacional. Ele impacta diretamente a montagem das nominatas, as alianças e o discurso dos pré-candidatos locais.
Brasília é um território onde:
- A direita é majoritária,
- O antipetismo é forte,
- E a política nacional costuma “contaminar” a disputa distrital e federal.
Com Flávio Bolsonaro crescendo, o bolsonarismo volta a ser ativo político valioso, especialmente para:
- pré-candidatos a deputado federal,
- candidatos ao Senado,
- e até nomes que miram o Buriti em 2026.
Quem ganha força e quem entra em modo defensivo no DF
Esse cenário favorece políticos que:
- mantiveram discurso alinhado à direita sem radicalização excessiva,
- preservaram pontes com o eleitor conservador,
- e não romperam totalmente com o bolsonarismo.
Ao mesmo tempo, setores ligados ao governo federal entram em modo defensivo, ajustando discurso, reduzindo exposição nacional e focando em pautas locais para evitar desgaste.
Não é coincidência que muitos pré-candidatos no DF estejam:
- evitando citar Lula,
- falando mais de “gestão”, “resultados” e “Brasília acima de tudo”,
- e deixando o debate ideológico em segundo plano — pelo menos por enquanto.
Polarização nacional, pragmatismo local
A grande lição do momento é clara:
a eleição de 2026 será nacionalmente polarizada, mas localmente pragmática.
No DF, o eleitor:
- acompanha o embate Lula x Bolsonaro,
- mas vota pensando em segurança, mobilidade, saúde e serviços públicos,
- e cobra posicionamento, mas rejeita aventureirismo.
Quem entender essa equação primeiro sai na frente.
Moral da história
O tabuleiro nacional começou a se mover — e Brasília, como sempre, já está jogando antes do apito oficial.
A pré-campanha presidencial não só esquenta o debate, como define quem chega forte, quem sobrevive e quem pode ficar pelo caminho na política do Distrito Federal.
E, em Brasília, quem ignora o cenário nacional… costuma pagar caro depois.