Desde sexta-feira, o sono tem sido curto para muita gente. Não é por acaso. Uma cena forte, rara e profundamente simbólica escancarou o sentimento que atravessa boa parte da sociedade brasileira: um delegado chorando.
O homem é Pablo Aguiar, delegado da Vicente Pires. Alto, forte, experiente, conhecido pela postura firme e estratégica. Alguém que, no imaginário popular, carrega o estereótipo do “xerifão” que não se abala. Mas chorou. E chorou copiosamente.
O choro que não é fraqueza
Não foi fraqueza. Foi indignação. Foi o limite de quem não aguenta mais ver o ciclo do “prende e solta” se repetir. Em um caso grave, a polícia realizou um trabalho minucioso, técnico, de primeira linha. Ainda assim, a sensação que ficou foi a de que todo esse esforço pode ser desmontado em poucas horas.
O choro de Pablo Aguiar não é individual. É o choro da sociedade. É o choro de quem é pai e se coloca no lugar de outra família, vendo um jovem quase perder a vida enquanto o agressor ganha a liberdade mediante fiança. É o choro de quem percebe que, do jeito que está, nossos filhos não se sentem seguros.
Por trás do distintivo, um pai
Por trás do distintivo existe um ser humano. Um pai de família que sente o peso de cada decisão, de cada ocorrência, de cada noite mal dormida. A farda não anestesia a consciência. Pelo contrário: amplifica a responsabilidade.
Ao falar, Pablo deixou claro que a luta não acabou. Anunciou que faria nova representação — a única alternativa jurídica possível naquele momento para tentar reverter o cenário. A estratégia passa por levantar o perfil do autor, demonstrar que o fato não foi isolado e apresentar ao Judiciário um quadro mais amplo de risco e reincidência. Coragem institucional também é isso: persistir dentro da lei, mesmo quando o cansaço é enorme.
Resultados concretos em Vicente Pires
Os números e a percepção popular falam por si. Desde que Pablo Aguiar assumiu a delegacia de Vicente Pires, a criminalidade caiu drasticamente. Houve mudança de método, presença mais efetiva e respostas mais rápidas. Não é discurso; é resultado.
Esse histórico reforça a sensação de frustração quando o trabalho policial parece não encontrar a mesma sintonia em outras instâncias. Para quem está na ponta, ver um caso grave perder força rapidamente é desmobilizador — e profundamente humano reagir a isso com emoção.
Gente da gente na política
Há quem diga que emoção não combina com autoridade. A realidade mostra o contrário. Autoridade sem humanidade vira distância. E é justamente por isso que cresce a percepção de que pessoas como Pablo fazem falta nos espaços de decisão.
É legítimo dizer: é uma pena que ele não esteja candidato agora. O Distrito Federal precisa de gente que conhece a rua, o risco real, o impacto das decisões na vida das famílias. Gente que não fala de segurança pública do conforto de um gabinete, mas da experiência concreta.
Moral da história
Quando até os brutos choram, é sinal de alerta.
O choro de Pablo Aguiar não é um espetáculo — é um recado. Um pedido para que o país encare, com seriedade e responsabilidade, o tema da impunidade.
Porque, no fim das contas, a dor é coletiva. E o silêncio já não cabe mais.