OS TUBARÕES DA CLDF
A matemática silenciosa que vai decidir 2026
1. Nadar entre tubarões não é opcional
Os números de 2022 mostraram que disputar vaga de deputado distrital no DF não é para amador. É mar aberto. É tubarão grande dividindo espaço. Quem entra achando que eleição proporcional é corrida individual acaba servindo de escada para quem montou grupo com estratégia. Política proporcional é jogo coletivo.
2. O quociente virou obsessão
Nos bastidores partidários já circula o número mágico: entre 60 e 62 mil votos deve ficar o quociente eleitoral. Esse parâmetro virou meta interna de montagem de nominata. A diferença de poucos milhares pode decidir quem toma posse e quem vira suplente eterno.
3. A engenharia da sobra
Tem dirigente dizendo que fará “dois” deputados com naturalidade. Pode até fazer. Mas o segredo não está apenas no quociente — está na sobra. A média partidária é calculada antes mesmo da campanha começar. Existem planilhas rodando que já projetam quem herda vaga se a conta fechar.
4. A fórmula 80/20
A lógica 80/20 virou regra prática: um grande puxador concentrando a maioria dos votos e um grupo médio sustentando a média. Sem tração, não há sobra. Sem sobra, não há segunda vaga.
5. O caso Agir
Quando tinha Jaqueline Silva, Kane Klebia e Carlos Dalvan, o Agir saiu da curva porque tinha voto concentrado e base distribuída. Hoje a legenda sabe que, sem peça estratégica, corre risco de ficar espremida entre estruturas maiores.
6. O efeito Robério
Com Robério Negreiros, o Podemos pode bater o quociente se montar nominata consistente. E pode sonhar com segunda ou terceira vaga na sobra. Nome forte não divide voto — multiplica média.
7. Não fuja do tubarão
Tem candidato querendo partido “sem estrela”. Erro primário. Melhor dividir mar com puxador grande do que remar sozinho e afundar. Política proporcional é matemática de grupo.
8. Menos partidos, mais concentração
O novo cenário, com menos legendas competitivas, tende a concentrar as sobras nos partidos maiores. Em 2022 havia mais dispersão. Agora o bolo pode ser dividido entre menos mãos.
9. O cálculo do PL
João Cardoso, ao ingressar no PL, certamente observa essa matemática. Para buscar terceira vaga, precisa de nominata forte e alinhamento interno. Sem isso, a conta trava.
10. Recado à turma do Arruda
Viu, turma do Arruda? Ficaram sem assunto? Eu não falei do careca esses dias… e aí ficam órfãos das fofocas. Quando essa coluna silencia, o barulho é maior do que parece.
11. O cálculo frio do MDB
No MDB, o raciocínio sobre Jaqueline Silva é matemático. Se sair, a legenda projeta trabalhar com uma vaga na sobra. Se surgir quarta cadeira, tende a ficar com alguém da casa. Política proporcional não tem apego emocional.
12. O encaixe no Agir
Jaqueline Silva encaixaria novamente no Agir como peça estratégica. Para o MDB pode significar enfraquecimento interno. Para o Agir pode ser tábua de salvação.
13. Cristiano no radar
O secretário de Turismo, Cristiano Araújo, permanece no MDB observando o desenho. Se pintar terceira ou quarta vaga, dependendo da votação global e da média interna, pode vislumbrar cadeira. No papel é bonito. Na urna é outra história.
14. Planilha não vota
No Excel a conta fecha. No bastidor a projeção anima. Mas planilha não aperta urna. Voto real é imprevisível e muda cenário na última semana.
15. A hora da verdade
Quando a urna abre, a matemática deixa de ser teoria. Sobrevive quem montou nominata com estratégia e sangue frio.
16. Eu sei mais do que escrevo
Eu sei tanta coisa desses bastidores que, se resolvesse contar tudo, tinha político pedindo silêncio institucional. Política tem camada que não aparece na planilha — e nem sempre vai para a coluna.
17. Bastidor não vira ata
Tem conversa que não vira ata. Tem acordo que não aparece na foto. Eu sei mais do que escrevo. E escrevo só o suficiente para quem sabe ler nas entrelinhas.
18. Melhor deixar quieto
Tem político que reza para eu continuar econômico nas palavras. Porque se eu abrisse o arquivo completo, teria gente procurando poço fundo — no sentido figurado, claro. Por enquanto, fico na matemática.
19. A Rima Da Ana
E tem Ana Paula Marra, secretária de Desenvolvimento Social, que vai ganhar essa provocação poética:“Ana, deixa de Marra, escolha o número e encare essa farra.”Rimou. Mas política não é só rima — é coragem de entrar no jogo.
20. Leitura obrigatória
Antes de sair dizendo que vai fazer dois ou três deputados, leiam a matéria que explica como os distritais se elegeram pelo método das sobras em 2022. Ali está a aula prática da matemática eleitoral.
Quem não entende sobra… vira sobra.
PENSAMENTO DO DIA
Na política proporcional, não vence quem grita mais alto — vence quem calcula melhor.
Tem gente que monta nominata achando que está formando time. Na verdade, está montando destino.
Quem entende a matemática, sobrevive.
Quem ignora a sobra… descobre que a política não perdoa amador.
E lembre-se:
às vezes o silêncio de uma coluna diz mais do que dez discursos inflamados.