🎯 Entrevista exclusiva para a Rádio Corredor | Por Camila Pasquarelli
Após mais de três décadas de vida pública, o senador Magno Malta construiu uma trajetória marcada por embates políticos, defesa de pautas conservadoras e episódios pessoais de superação que moldaram sua atuação no cenário nacional. Desde os primeiros passos na política, em 1993, como vereador em Cachoeiro de Itapemirim (ES), até o atual terceiro mandato no Senado Federal, o parlamentar acompanhou de perto as transformações institucionais do Brasil — avanços democráticos, crises políticas, escândalos de corrupção e mudanças no perfil ideológico do eleitorado.
Conhecido pelo discurso direto e pela postura combativa, Malta afirma que o país amadureceu em transparência, tecnologia e participação popular, mas alerta para o que classifica como a “sofisticação dos mecanismos de poder”, com estruturas políticas ainda resistentes à renovação. Ao falar sobre a chamada “velha política”, que define mais como um método do que como um grupo específico, o senador defende que romper com esse sistema exige enfrentar resistências institucionais, jurídicas e midiáticas.
Ao longo da carreira, também enfrentou batalhas fora do campo político. Problemas graves de saúde, cirurgias na coluna e limitações físicas não o afastaram da atuação pública. Segundo ele, a fé e o senso de propósito foram determinantes para permanecer na linha de frente, mesmo diante de dores constantes. Aliado histórico do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantém a defesa da lealdade como princípio inegociável e se posiciona como representante de uma nova fase do conservadorismo brasileiro, que, em sua visão, começa a ganhar identidade mais clara entre as novas gerações.
🎙️ Entrevista
(1) RÁDIO CORREDOR: Depois de mais de três décadas na vida pública, o que mais mudou no Brasil — e o que o senhor acredita que piorou — desde que entrou na política em 1993?
“O Brasil de 1993 era uma democracia ainda em consolidação. Tínhamos saído há poucos anos da Constituição de 1988, atravessado o impeachment de Collor e enfrentávamos hiperinflação até o Plano Real, em 1994. De lá para cá, avançamos institucionalmente, fortalecemos órgãos de controle e consolidamos a alternância de poder.
Seria injusto dizer que tudo piorou. O país amadureceu em transparência, tecnologia e participação popular. Mas há algo que se agravou: a sofisticação dos mecanismos de poder. A corrupção deixou de ser apenas exceção e passou a operar de forma estrutural em determinados momentos da nossa história recente, como revelaram grandes escândalos nacionais.
Ou seja, o Brasil vive um ciclo permanente de vigilância. Avançamos, mas, volta e meia, retrocedemos quando interesses organizados “capturam o Estado”. A democracia brasileira é jovem e exige defesa constante.”
(2) RÁDIO CORREDOR: O senhor conhece a chamada “velha política” por dentro. Onde, na sua visão, ela ainda resiste com mais força e por que é tão difícil enfrentá-la?
“A chamada “velha política” não é apenas um grupo de pessoas; é um método. Ela resiste onde há concentração de poder sem transparência, em estruturas partidárias fechadas, em negociações pouco republicanas e em alianças construídas exclusivamente para manutenção de poder.
O Brasil, por décadas, orbitou majoritariamente entre vertentes social-democratas e projetos de esquerda mais estruturados. A ascensão de uma direita mais ideológica e assumidamente conservadora rompeu esse ciclo e gerou forte reação do sistema político tradicional.
Enfrentar esse modelo é difícil porque ele é capilarizado. Ele está nos mecanismos institucionais, na cultura política e na dependência de estruturas estatais. Quem tenta romper com isso enfrenta resistência intensa — política, jurídica e midiática (observe o que aconteceu com Bolsonaro). Não é uma disputa simples de narrativa; é uma disputa de poder.”
(3) RÁDIO CORREDOR: Em vários momentos, o senhor precisou lutar contra limitações físicas e sérios desafios de saúde. O que sustentou sua força para continuar na linha de frente quando muitos teriam desistido?
“No início dos anos 2000, enfrentei um tumor na medula e passei por um enxerto na coluna. O prognóstico médico era extremamente reservado. Convivi, e ainda convivo, com dores intensas. Humanamente, havia todas as razões para parar.
O que me sustentou foi a fé. Minha vida pública sempre esteve alicerçada na convicção de que há um propósito maior. Quando o médico diz que a limitação será permanente e você continua andando, isso muda sua perspectiva sobre missão.
A política, para mim, nunca foi carreira; sempre foi chamado. E quem entende o propósito suporta o processo.”
(4) RÁDIO CORREDOR: Sua amizade com Jair Bolsonaro sempre foi pública e leal, inclusive nos momentos mais difíceis. O que essa relação revela sobre caráter, fidelidade e o custo de permanecer fiel na política?
“Amizade verdadeira não se mede por conveniência. Ao longo dos anos, Bolsonaro enfrentou atentado, forte polarização política, investigações e embates intensos. Permanecer ao lado de alguém em meio à tempestade exige convicção.
Na política, há muitos aliados de ocasião e poucos leais de fato. Até porque fidelidade tem custo: desgaste, incompreensão e, muitas vezes, isolamento. Mas caráter não pode ser circunstancial.
Minha postura sempre foi transparente. Lealdade, para mim, é um valor inegociável.”
(5) RÁDIO CORREDOR: Hoje vemos uma nova geração conservadora ganhando espaço. O senhor acredita que o Brasil está realmente passando por uma mudança de mentalidade ou ainda estamos apenas no início desse processo?
“O Brasil sempre foi culturalmente conservador, na família, na fé e nos valores. O que mudou foi a disposição de assumir publicamente essa identidade política.
Ainda estamos no início de um processo de maturação ideológica. Muitos brasileiros votam por sentimento, não por compreensão dos espectros políticos. Mas há um avanço importante, pois as jovens lideranças têm ocupado espaço no debate público, dialogando com novas linguagens e plataformas. Cito aqui o exemplo do deputado federal Nikolas Ferreira.
Quando novas gerações entram no debate político com identidade definida, isso indica transformação estrutural, não apenas momentânea.”
(6) RÁDIO CORREDOR: Se pudesse deixar uma mensagem direta ao brasileiro comum, que muitas vezes se sente cansado, desacreditado e distante da política, qual seria o chamado que o senhor faria hoje?
“O cansaço é legítimo. A descrença também. Mas abandonar a política não elimina seus efeitos, apenas entrega as decisões a quem está disposto a ocupá-la.
Democracia não é um evento; é vigilância permanente. Se as pessoas de bem se afastam, os interesses organizados avançam.
Meu chamado é simples: não terceirize o futuro da sua família. Acompanhe, cobre, participe da política. Mesmo cansado, permaneça atento. O Brasil não será transformado por espectadores, mas por cidadãos conscientes.”
Entre plenários, disputas ideológicas e desafios pessoais, Magno Malta consolidou a imagem de um político experiente, resiliente e fiel às convicções que o acompanham desde o início da carreira. Para ele, a política não é apenas uma profissão, mas uma missão. E, mesmo diante do cansaço e da descrença de parte da população, reforça a necessidade da participação ativa da sociedade como caminho para mudanças reais.
Ao completar mais de 30 anos de trajetória, o senador segue defendendo que o Brasil só avançará com vigilância democrática constante, envolvimento cidadão e compromisso com valores que, segundo ele, sustentam as bases do país. Sua história mistura longevidade política, enfrentamentos diretos ao sistema e resistência pessoal — elementos que ajudam a explicar por que continua presente e atuante no centro dos principais debates nacionais.
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