Em ano eleitoral, spray de pimenta vira palanque — e ninguém desperdiça a oportunidade
O episódio envolvendo o deputado distrital Fábio Félix e a PMDF no bloco Rebu não é apenas uma ocorrência policial sob investigação.
É um retrato claro de como, em ano eleitoral, qualquer faísca pode virar palanque.
O spray de pimenta já evaporou. A disputa política, não.
Não é só sobre o que aconteceu. É sobre como foi percebido.
De um lado, o deputado afirma que tentou mediar uma abordagem e acabou atingido.
De outro, as imagens que circularam nas redes sociais foram interpretadas por parte da população como tentativa de interferência em ação policial.
Entre fato jurídico e percepção pública existe um campo decisivo: o da narrativa.
E narrativa, em ano eleitoral, vale voto.
Segurança pública é pauta inflamável
Quando o tema envolve:
• Polícia
• Direitos humanos
• Mandato parlamentar
• Evento popular
A mistura é explosiva.
Cada grupo político enxerga oportunidade de consolidar discurso.
Para uns, o episódio reforça a necessidade de fiscalização do poder policial.
Para outros, reforça a defesa da autoridade e do respeito à corporação.
Ambos falam para suas bases.
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O efeito eleitoral
O que poderia ser tratado apenas na esfera administrativa agora se transforma em:
• Vídeo compartilhado
• Discurso reforçado
• Posicionamento ideológico
• Material de campanha futura
Nenhum lado quer parecer fraco.
Nenhum lado quer recuar.
Porque, em 2026, segurança pública estará no centro do debate.
A comandante no meio do fogo cruzado
Enquanto grupos políticos disputam narrativa, a chefia da PMDF precisa administrar não apenas a ocorrência, mas a repercussão.
Em ano eleitoral, decisões técnicas são observadas sob lente política.
E administrar tropa já é difícil.
Administrar tropa, pressão institucional e egos sedentos por votos é ainda mais complexo.
A política não desperdiça crise
O episódio mostra algo maior:
Não importa o tamanho da ocorrência.
Importa o potencial simbólico.
Spray de pimenta vira bandeira.
Vídeo vira argumento.
Intervenção vira discurso.
Em ano eleitoral, nada é neutro.
E quando segurança pública entra na arena, o debate sai do asfalto e vai direto para o palanque.