Crônicas da Política
5 Milhões na Mala, 3.550 Votos na Urna
Dizem que na política do Planalto existe uma regra não escrita: quanto maior for a promessa, maior a mala.
Um certo deputado distrital — vamos chamá-lo de Deputado Esperança — acreditou que tinha encontrado o homem que faria chover voto.
O estrategista garantia 20 mil votos. Falava em lideranças, estrutura montada, campanha pronta. “Confia em mim”, dizia, com a segurança de quem vende futuro como se fosse certeza.
O investimento que virou ressaca
E o deputado confiou.
Adiantou cinco milhões de reais para “estruturar a máquina” eleitoral. Cinco milhões.
Era investimento. Era aposta. Era o atalho para a reeleição.
O sumiço em Mar Azul
Dias depois, o estrategista evaporou.
Mudou-se para uma cidade praiana — dessas que têm mais coqueiro do que eleitor. Postava foto do pôr do sol, churrasco na varanda, vida leve. Enquanto isso, na capital, o deputado aguardava o retorno do investimento.
A urna foi implacável
Veio a eleição.
Resultado final: 3.550 votos.
Cinco milhões de expectativas. Três mil quinhentos e cinquenta votos.
O dilema que ninguém assume
E aí surge o drama:
- Denunciar?
- Chamar a polícia?
- Explicar de onde saiu o “investimento”?
Na política, às vezes o prejuízo não pode virar boletim de ocorrência.
Moral da história
Na campanha, o que conquista voto é trabalho. Promessa só compra ilusão.
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