Carnaval, bajulação e desgaste: quando a narrativa vira contra o governo

Em política, símbolo pesa. E às vezes pesa mais do que decreto.

O episódio da chamada “bajulação carnavalesca” — com recursos públicos envolvidos, discursos elogiosos e clima festivo em meio a um ambiente econômico tenso — pode ter produzido um efeito contrário ao desejado pelo governo federal.

O que era para reforçar presença institucional acabou sendo interpretado, por parte da opinião pública, como desconexão.

Em um momento de pressão fiscal, debate sobre impostos e insatisfação difusa com o custo de vida, a imagem de celebração política patrocinada pelo Estado soa para muitos como excesso.

E excesso, em ambiente de desgaste, costuma ser um tiro no pé.

A leitura estratégica

A crítica aqui não está no Carnaval em si, nem na presença institucional. O problema é o timing.

Quando o eleitor sente aperto no bolso, a tolerância com demonstrações públicas de festa patrocinada diminui. A oposição entende isso rapidamente e transforma o símbolo em narrativa.

É o clássico erro de comunicação: subestimar o clima social.

Reflexo nas pesquisas

Não é coincidência que, paralelamente a esse ruído, pesquisas apontem crescimento de nomes da oposição. O eleitor que não encontra identificação com o governo tende a procurar alternativa.

Não se trata de ideologia pura. Trata-se de percepção.

E percepção, em política, é quase tudo.

O risco da bolha

Governos frequentemente se blindam dentro de círculos de apoio e passam a medir a temperatura política apenas pelo aplauso interno. O Carnaval pode ter revelado exatamente isso: um ambiente de autoconfiança que não conversa com o humor médio da sociedade.

Se for essa a leitura dominante, o episódio não será lembrado como celebração cultural — mas como erro estratégico de comunicação.

O que isso significa para 2026

Ainda é cedo para afirmar impacto estrutural. Mas há um alerta evidente:

Quando narrativa e realidade social se distanciam, abre-se espaço para reorganização do campo adversário.

A política brasileira é movida por ondas. E, às vezes, a própria celebração vira o empurrão que fortalece o opositor.

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