Ibaneis mira Senado, reafirma apoio a Celina

Ibaneis assume papel de articulador da base para 2026

O ex-governador Ibaneis Rocha deixou claro, em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, que saiu do Palácio do Buriti, mas não saiu do centro da articulação política do Distrito Federal.

Pré-candidato ao Senado, Ibaneis usou a entrevista para reforçar sua posição no tabuleiro de 2026, reafirmar apoio à governadora Celina Leão, defender a unidade da centro-direita, projetar o crescimento do MDB e mandar recados diretos sobre Lula, PL, Ficha Limpa, Arruda e a sucessão no DF.

A entrevista também teve espaço para balanço de governo, mas o tom principal foi político. Ibaneis se colocou como fiador da candidatura de Celina, articulador das nominatas da base e nome preparado para representar o Distrito Federal no Senado.

Ibaneis quer chegar ao Senado com discurso de experiência e diálogo

Ibaneis Rocha confirmou que está trabalhando para disputar uma vaga ao Senado em 2026.

Na entrevista, ele afirmou que sua trajetória como advogado, ex-presidente da OAB-DF, dirigente nacional da Ordem e governador por dois mandatos lhe dá experiência suficiente para atuar no Congresso Nacional.

O ex-governador disse que o Senado precisa de políticos com capacidade de diálogo, trânsito institucional e conhecimento real das demandas da população.

Apoio a Celina Leão está mantido

Um dos pontos mais importantes da entrevista foi a reafirmação do apoio de Ibaneis à governadora Celina Leão.

Questionado sobre rumores de um possível “plano B” dentro da base, envolvendo nomes como Rafael Prudente ou Maiara Noronha, Ibaneis foi direto: disse que é um homem de palavra e que seu compromisso com Celina está mantido.

O ex-governador lembrou que lançou a candidatura de Celina ainda no início de seu segundo governo e afirmou que continuará cumprindo esse acordo.

Ibaneis nega plano B no Buriti

Ibaneis também afastou a possibilidade de uma candidatura alternativa dentro do grupo governista.

Segundo ele, não há ambiente político para uma candidatura de última hora contra Celina Leão. Para o ex-governador, o cenário atual é diferente de 2018, quando havia forte sentimento de abandono e insatisfação com a política local.

Ele afirmou que Rafael Prudente é um político preparado, mas que tem tempo para esperar.

MDB estará na campanha de Celina

Ibaneis afirmou que o MDB do Distrito Federal estará fechado na campanha de Celina Leão.

Ele citou o presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, o deputado federal Rafael Prudente, o próprio MDB e demais lideranças do partido como integrantes do projeto político da governadora.

Na prática, o ex-governador deixou o recado: o MDB não trabalha com alternativa ao nome de Celina.

Base governista mira 18 distritais

Ibaneis projetou uma base forte para 2026.

Segundo ele, o grupo de apoio à governadora Celina Leão já conta com 12 partidos consolidados. A meta é eleger pelo menos 18 deputados distritais ligados à base governista na Câmara Legislativa.

O ex-governador também afirmou que a centro-direita pode conquistar pelo menos seis vagas na Câmara dos Deputados e as duas vagas ao Senado pelo Distrito Federal.

MDB quer eleger de quatro a cinco distritais

Ao falar sobre a nominata do MDB, Ibaneis afirmou que o partido trabalha com a expectativa de eleger de quatro a cinco deputados distritais em 2026.

Ele lembrou que, quando entrou na política em 2018, o MDB elegeu apenas um deputado distrital e nenhum deputado federal. Hoje, segundo ele, o partido tem deputado federal, cinco distritais e presidiu a Câmara Legislativa durante os dois mandatos de seu governo.

Chapa federal do MDB mira pelo menos duas vagas

Na disputa para deputado federal, Ibaneis afirmou que o MDB pretende eleger pelo menos dois nomes.

Ele citou Rafael Prudente, José Humberto, Hélvia Paranaguá, Josy Jacob da Saúde e Pastor Wesley como nomes da chapa proporcional.

Ibaneis assume articulação com pré-candidatos

Com Celina Leão concentrada na gestão do GDF, Ibaneis revelou que assumiu parte da articulação política da base.

O ex-governador disse que tem recebido de oito a dez pré-candidatos por dia em seu escritório para conversas e orientações.

Segundo ele, muitos pré-candidatos estão começando na política e precisam de direção sobre como organizar uma campanha, construir base e entender o jogo eleitoral.

PL ainda é alvo de pacificação

Outro ponto político importante foi o recado ao PL.

Mesmo com nomes como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis colocados no jogo para o Senado, Ibaneis afirmou que ainda espera uma pacificação com o partido.

Segundo ele, vai trabalhar até o último momento para tentar manter o PL dentro da coligação de Celina Leão.

Para Ibaneis, a centro-direita não pode se dividir a ponto de abrir caminho para a esquerda no Distrito Federal.

MDB nacional pode se dividir na eleição presidencial

Ibaneis também comentou a relação do MDB com o presidente Lula.

Segundo ele, o MDB é um partido historicamente regionalizado. No Norte e no Nordeste, há setores mais próximos do PT. Já no Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o partido teria perfil mais alinhado à centro-direita.

O ex-governador disse que o MDB deve chegar novamente dividido à eleição presidencial de 2026.

Ibaneis critica Lula e diz que governo federal não gosta do DF

Ibaneis fez críticas duras ao governo Lula.

Segundo ele, o presidente demonstrou, por meio de representantes no Congresso Nacional, não gostar do Distrito Federal. O ex-governador citou as tentativas de mexer no Fundo Constitucional como exemplo.

Ibaneis também afirmou que o governo federal poderia ter ajudado mais a governadora Celina Leão em relação aos problemas envolvendo o BRB, mas teria deixado claro que a solução caberia ao próprio DF.

Oposição sem oposição automática

Apesar das críticas ao governo federal, Ibaneis disse que não pretende fazer oposição por oposição caso seja eleito senador.

Ele afirmou que não compartilha das ideias da esquerda e defende uma linha mais liberal, com redução de tributos e incentivo a quem produz.

Mesmo assim, disse que apoiará aquilo que for bom para a população.

Ibaneis quer candidato presidencial mais próximo do centro

Ao comentar a disputa presidencial de 2026, Ibaneis afirmou que pretende caminhar com um candidato mais próximo do centro.

Ele citou Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema como nomes colocados no campo da direita e da centro-direita.

Ibaneis disse gostar de Flávio Bolsonaro e afirmou não ter dificuldade em votar nele. Sobre Ronaldo Caiado, reconheceu resultados importantes em Goiás, especialmente na segurança pública. Já sobre Zema, avaliou que o governador mineiro tem ideias liberais, mas pode ter dificuldade de romper as fronteiras de Minas Gerais.

Ficha Limpa: Ibaneis diz que Congresso errou

Ibaneis também comentou a flexibilização da Lei da Ficha Limpa.

Para ele, o Congresso Nacional errou ao mexer em uma das maiores conquistas da política brasileira. O ex-governador afirmou que a lei melhorou a qualidade da política e teve impacto positivo na escolha de governadores e gestores pelo país.

Situação de Arruda “não é tão simples”, diz Ibaneis

Questionado sobre José Roberto Arruda, Ibaneis evitou transformar a resposta em ataque pessoal, mas afirmou que a situação jurídica do ex-governador “não é tão simples”.

Segundo Ibaneis, mesmo com eventual mudança na Lei da Ficha Limpa, há discussão sobre retroatividade e sobre a conexão entre os fatos das condenações.

O ex-governador disse ter apreço por Arruda, mas afirmou que o estrago político causado após a Operação Pandora durou muitos anos no Distrito Federal.

8 de janeiro: Ibaneis diz que tudo ficou esclarecido

No fim da entrevista, Ibaneis comentou o período em que ficou afastado do Governo do DF após os atos de 8 de janeiro.

Ele disse que viveu aqueles 65 dias com ansiedade, mas também com paciência.

O ex-governador afirmou confiar no Poder Judiciário e disse que, ao final, ficou esclarecido que ele não teve envolvimento no episódio.

Balanço de governo também entrou na entrevista

Embora a entrevista tenha tido forte peso político, Ibaneis também fez um balanço de sua passagem pelo Governo do Distrito Federal.

Túnel de Taguatinga foi citado como obra símbolo

Questionado sobre qual obra considera o maior símbolo de transformação do DF, Ibaneis apontou o Túnel de Taguatinga.

Segundo ele, a obra mudou a vida de milhares de pessoas, revitalizou o centro da cidade e beneficiou moradores de Taguatinga, Samambaia, Sol Nascente e Ceilândia.

Obras espalhadas pelas cidades

Ibaneis afirmou que entregou 3.270 obras durante seus sete anos e três meses de governo.

Ele citou intervenções no Jardim Botânico, Tororó, Mangueral, Paranoá, Itapoã, Sobradinho, Planaltina, Estrutural, Santa Luzia, Vicente Pires, Sol Nascente, Samambaia, Recanto das Emas e Riacho Fundo II.

Área social como marca

Ibaneis também destacou programas sociais de sua gestão.

Ele citou restaurantes comunitários com refeições a R$ 1, café da manhã, almoço e jantar, além do funcionamento todos os dias da semana.

Também mencionou Cartão Prato Cheio, Cartão Material Escolar, Cartão Uniforme, DF Social, Qualifica DF e RenovaDF.

Creches e saúde

Na educação, Ibaneis destacou a redução da fila das creches. Segundo ele, quando assumiu o governo, havia 26 mil crianças fora das creches no DF. Na entrevista, afirmou que esse número caiu para menos de mil.

Na saúde, citou a construção de UPAs, entrega de unidades básicas de saúde, ampliação de atendimentos e projetos de novos hospitais no Recanto das Emas, Guará e São Sebastião.

Moral da história

A entrevista foi mais do que um balanço de governo. Foi um recado político.

Ibaneis Rocha quer chegar ao Senado, manter o MDB forte, ajudar Celina Leão a buscar a reeleição e organizar a centro-direita para 2026.

Ao mesmo tempo, deixou claro que pretende continuar influenciando diretamente a montagem das nominatas, a articulação da base e o rumo da sucessão no Distrito Federal.

No tabuleiro político do DF, Ibaneis saiu do Buriti, mas segue jogando no centro da mesa.

Assista à entrevista completa

A entrevista foi concedida ao programa Vozes da Comunidade, apresentado pelo jornalista Toni Duarte, editor-chefe do Portal Radar DF.

Assista ao vídeo completo abaixo.

Autor

Horas
Minutos
Segundos
Estamos ao vivo