A possível desistência de Michelle embaralha a disputa ao Senado no DF

Celina pode perder sua principal aposta eleitoral

Se Michelle Bolsonaro realmente optar por não disputar o Senado, o impacto será muito maior do que a simples saída de uma candidata competitiva. O tabuleiro político do Distrito Federal muda imediatamente, e quem tende a sentir o maior efeito é a governadora Celina Leão.

Celina fez um movimento político importante para aproximar seu projeto do grupo de Michelle Bolsonaro. Apostou que a ex-primeira-dama seria um dos pilares da chapa e um dos principais motores de votos, especialmente entre o eleitorado evangélico e conservador. Caso Michelle fique fora da disputa, esse ativo desaparece, obrigando a campanha a reconstruir parte de sua estratégia.

Ibaneis nunca tratou esse cenário como garantido

Enquanto parte da classe política trabalhava com Michelle como candidata praticamente certa, pessoas próximas ao ex-governador Ibaneis Rocha afirmam que ele sempre avaliou a possibilidade de um desfecho diferente.

Quem conhece a forma de fazer política de Ibaneis costuma repetir a mesma frase: ele não dá um passo importante sem antes olhar pesquisas, cruzar informações e analisar diversos cenários. Por isso, nunca teria tratado a candidatura de Michelle como uma certeza absoluta.

Na política, quem trabalha apenas com um cenário corre o risco de ser surpreendido. Quem trabalha com vários cenários consegue reagir mais rápido quando o jogo muda.

A direita entra em uma nova disputa

Sem Michelle concentrando votos, a tendência é que o eleitorado de direita fique mais pulverizado. O espaço que antes parecia destinado a uma candidatura passa a ser disputado por diversos nomes.

Nesse cenário, Ibaneis Rocha pode ampliar seu espaço por reunir alto índice de conhecimento popular e experiência administrativa. Ao mesmo tempo, Bia Kicis tende a absorver parte significativa do eleitorado mais identificado com o bolsonarismo.

A disputa deixa de ser apenas por uma vaga. Passa a ser pela liderança dentro do próprio campo da direita.

A esquerda ganha fôlego

A possível ausência de Michelle também altera os cálculos da esquerda. Se antes uma das duas vagas ao Senado era considerada, por muitos analistas, praticamente encaminhada para a ex-primeira-dama, esse espaço volta a ficar em aberto.

Com isso, candidaturas como as de Erika Kokay e Leila do Vôlei passam a enxergar um cenário mais competitivo. Não significa favoritismo, mas representa uma oportunidade que antes parecia bem menor.

A eleição recomeça

Mais do que tirar uma candidata da disputa, uma eventual desistência de Michelle Bolsonaro teria potencial para provocar um efeito dominó em toda a eleição do Distrito Federal.

Alianças precisariam ser revistas, estratégias seriam redesenhadas e candidaturas ganhariam novo fôlego. Em eleições majoritárias, poucas decisões conseguem alterar tanto o ambiente político quanto a saída de um nome com grande potencial eleitoral.

Se esse cenário se confirmar, a corrida ao Senado deixa de ter um roteiro previsível e passa a ser uma das disputas mais abertas e imprevisíveis dos últimos anos no Distrito Federal.

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