A nova pesquisa do Paraná Pesquisas sobre a corrida ao Palácio do Buriti vai muito além de uma simples fotografia das intenções de voto. O levantamento mostra quem começa a reta decisiva na frente, quem possui força para reagir e quais fatores podem alterar completamente o cenário eleitoral nas próximas semanas.
No principal cenário estimulado, a governadora Celina Leão aparece com 34,6% das intenções de voto. O ex-governador José Roberto Arruda ocupa a segunda posição, com 28,1%.
Em seguida aparecem Leandro Grass, com 11,9%; Ricardo Cappelli, com 4,5%; Paula Belmonte, com 3,6%; e Kiko Caputo, com 1,3%.
Celina mantém uma vantagem de 6,5 pontos percentuais sobre Arruda. É uma dianteira importante, principalmente em uma eleição que já entrou em sua fase decisiva, mas ainda insuficiente para considerar a disputa resolvida.
Celina lidera porque reúne governo, estrutura e viabilidade eleitoral
A posição de Celina Leão não pode ser explicada somente pela força da máquina pública. A governadora conseguiu preservar a continuidade política da administração iniciada por Ibaneis Rocha e, ao mesmo tempo, passou a construir uma identidade própria no comando do Distrito Federal.
A pesquisa mostra que 58,3% dos eleitores aprovam sua administração, enquanto 37,6% desaprovam. Outros 4,1% não souberam ou não quiseram responder.
Na avaliação detalhada, 8,6% consideram o governo ótimo e 28,5% avaliam como bom. Somadas, as avaliações positivas chegam a 37,1%.
Outros 31% classificam a administração como regular. Na outra ponta, 11,7% consideram o governo ruim e 17,5% avaliam como péssimo, totalizando 29,2% de avaliação negativa.
A aprovação de 58,3% funciona como um ativo eleitoral de grande valor. Isso não significa que todos os eleitores que aprovam o governo votarão automaticamente em Celina, mas demonstra que ela entra na campanha com uma base administrativa favorável.
A diferença entre aprovação e intenção de voto revela, inclusive, que a governadora ainda possui espaço para crescer. Uma parcela do eleitorado aprova sua gestão, mas ainda não declarou voto em sua candidatura.
Arruda é o único adversário que ameaça diretamente a liderança de Celina
Os números confirmam José Roberto Arruda como o principal adversário da governadora.
Com 28,1%, o ex-governador aparece muito à frente dos demais concorrentes e demonstra que continua possuindo um capital eleitoral relevante no Distrito Federal.
Arruda mantém uma memória política que atravessou diferentes ciclos eleitorais. Mesmo depois de vários anos afastado do Palácio do Buriti, seu nome continua associado por parte do eleitorado a obras, gestão e a um período específico da história política de Brasília.
Essa memória administrativa ajuda a explicar sua competitividade.
A pesquisa mostra que, neste momento, existe uma primeira divisão formada por Celina e Arruda. Os demais candidatos ainda disputam espaço para tentar romper essa polarização.
A instabilidade jurídica é a maior fragilidade de Arruda
A principal dificuldade de Arruda não está nas pesquisas. Está na instabilidade jurídica que cerca sua candidatura.
O ex-governador possui votos, reconhecimento político e capacidade de mobilização. O problema é que sua presença efetiva na eleição dependerá da análise de seu pedido de registro pela Justiça Eleitoral.
É importante tratar o tema com precisão. Não se pode afirmar antecipadamente que Arruda estará impedido de disputar, assim como não é possível garantir que seu registro será definitivamente deferido.
O que existe, neste momento, é uma situação de instabilidade jurídica.
Essa incerteza acompanha a candidatura, interfere na construção das alianças e obriga os partidos que se aproximam do projeto de Arruda a trabalharem com diferentes possibilidades.
Arruda poderá obter o registro e disputar normalmente. Também poderá enfrentar questionamentos, impugnações, recursos e decisões judiciais ao longo do processo eleitoral.
A palavra final não pertence aos adversários, aos partidos, às pesquisas ou aos analistas. Pertence à Justiça Eleitoral.
Politicamente, essa instabilidade produz um efeito imediato. Enquanto Celina organiza sua campanha em torno da continuidade administrativa e da força de sua base, Arruda precisa sustentar sua candidatura nas ruas e, ao mesmo tempo, transmitir segurança jurídica aos seus aliados.
Essa é a grande diferença entre os dois principais nomes da disputa.
Celina precisa convencer o eleitor a mantê-la no comando do Palácio do Buriti. Arruda precisa convencer o eleitor, os partidos e sua própria base política de que conseguirá permanecer na eleição até o fim.
A espontânea confirma a liderança, mas revela uma eleição pouco consolidada
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem uma lista com os nomes dos possíveis candidatos, 66,7% afirmam não saber em quem votar.
Outros 6,3% dizem que votariam em branco, nulo ou em ninguém.
Celina Leão lidera com 12,3%, seguida por Arruda, com 7,4%. Leandro Grass aparece com 4%, Ricardo Cappelli com 1,1%, Ibaneis Rocha com 0,9%, Paula Belmonte com 0,6% e Kiko Caputo com 0,1%.
A pesquisa espontânea é importante porque mede a presença real dos nomes na memória do eleitor.
Celina aparece na frente também nesse indicador, mas os 66,7% que ainda não sabem em quem votar mostram que a maioria da população ainda não incorporou completamente a eleição à sua rotina.
Isso não significa necessariamente que o cenário será totalmente transformado. Significa que ainda existe um enorme contingente de eleitores disponível para ser convencido.
Com menos de três meses para a votação, esse grupo será decisivo.
A vantagem de Celina é relevante, mas a disputa continua competitiva
A diferença de 6,5 pontos percentuais a favor de Celina é importante, mas não permite falar em eleição definida.
Considerando a margem de erro de 2,6 pontos percentuais, a governadora continua numericamente na liderança, enquanto Arruda permanece em uma faixa eleitoral competitiva.
A campanha, os debates, as alianças, a propaganda eleitoral e os acontecimentos jurídicos ainda podem modificar o cenário.
A pesquisa não apresenta Arruda como derrotado. Também não mostra Celina com vitória garantida.
O levantamento apresenta uma governadora favorita e um adversário com densidade eleitoral suficiente para transformar a corrida ao Palácio do Buriti em uma eleição dura.
Leandro Grass precisa romper o isolamento do terceiro lugar
Leandro Grass registra 11,9% das intenções de voto e aparece como o principal nome do campo progressista.
O resultado demonstra que ele possui uma base eleitoral identificada, mas ainda está distante dos dois primeiros colocados.
Seu desafio não é apenas crescer. É convencer o eleitorado de que possui condições concretas de disputar uma vaga no segundo turno.
À medida que a votação se aproxima, existe uma tendência de concentração do voto nos nomes considerados mais competitivos. Esse movimento pode pressionar candidaturas intermediárias e estimular o chamado voto útil.
Leandro precisa ampliar sua presença para além do eleitorado tradicional da esquerda e apresentar uma mensagem capaz de disputar também o centro político.
Sem essa expansão, corre o risco de permanecer como uma candidatura relevante, mas limitada ao terceiro lugar.
Ricardo Cappelli precisa transformar exposição política em voto
Ricardo Cappelli aparece com 4,5%.
O resultado mostra que sua movimentação política ainda não se transformou em intenção de voto na mesma intensidade.
Cappelli possui presença nacional, circulação política e capacidade de produzir fatos. Entretanto, uma eleição para o Governo do Distrito Federal exige identificação local, capilaridade e presença permanente nas regiões administrativas.
Seu desafio será transformar conhecimento político em conexão eleitoral.
A pesquisa também mostra que sua rejeição, de 13,4%, está muito abaixo da rejeição dos dois líderes. Isso indica que Cappelli enfrenta menos resistência, mas possui também um eleitorado ainda muito menor.
Com menos de três meses para a votação, o tempo tornou-se seu principal adversário.
Paula Belmonte ainda busca um espaço próprio na disputa
Paula Belmonte aparece com 3,6% das intenções de voto.
Seu percentual mostra que ela ainda não conseguiu transformar sua trajetória política e sua presença no debate público em uma candidatura majoritária competitiva.
Paula possui rejeição inferior à de Celina e Arruda, mas também apresenta intenção de voto muito menor.
Esse é o dilema enfrentado por candidaturas menos consolidadas: acumulam menos resistência, mas também encontram maior dificuldade para serem lembradas.
Sua possibilidade de crescimento dependerá da capacidade de ocupar um espaço político claro, construir alianças e apresentar uma narrativa que a diferencie dos demais concorrentes.
Kiko Caputo enfrenta um problema de conhecimento eleitoral
Kiko Caputo aparece com 1,3%.
O resultado indica que sua candidatura ainda enfrenta um problema objetivo de conhecimento público.
Em outro momento da disputa, um percentual baixo poderia representar apenas o início de uma construção eleitoral. Com a proximidade da votação, porém, a janela para crescimento fica cada vez mais estreita.
Kiko precisará de exposição, estrutura partidária e uma mensagem capaz de ultrapassar os limites do eleitorado já identificado com seu grupo político.
A rejeição coloca Celina e Arruda praticamente no mesmo patamar
Arruda aparece com 27,9% de rejeição, enquanto Celina registra 26,3%.
Os dois estão praticamente no mesmo patamar.
Esse dado é importante porque demonstra que a polarização não é formada apenas por apoio. Também é alimentada pela resistência que cada um desperta em determinados segmentos do eleitorado.
Leandro Grass possui rejeição de 16,2%. Kiko Caputo aparece com 13,7%, Paula Belmonte com 13,5% e Ricardo Cappelli com 13,4%.
Os candidatos que aparecem atrás possuem rejeição menor, mas também apresentam índices mais baixos de intenção de voto.
Celina e Arruda enfrentam a situação contrária: possuem muito mais votos, mas também acumulam maior resistência.
Em uma eventual disputa direta, a rejeição poderá ser tão importante quanto a capacidade de mobilizar a própria base.
Celina é favorita, mas não pode administrar a eleição como vencida
Os números colocam Celina Leão na condição de favorita.
Ela lidera a pesquisa estimulada, aparece na frente na espontânea, comanda uma administração aprovada e possui uma ampla estrutura política.
Mas favoritismo não significa vitória antecipada.
A governadora ainda precisa manter sua base unida, impedir o crescimento da rejeição e transformar a aprovação administrativa em voto efetivo.
Também terá de enfrentar o desgaste natural de quem ocupa o governo e, por consequência, transforma-se no principal alvo dos adversários.
Celina entra na reta decisiva com vantagem, mas não pode agir como se a eleição estivesse encerrada.
Arruda tem votos, mas precisa superar a instabilidade jurídica
Arruda demonstrou novamente que possui força eleitoral.
Seus 28,1% mostram que ele não é apenas uma lembrança do passado. É um candidato capaz de ameaçar a liderança da governadora.
Entretanto, sua candidatura carrega um elemento de instabilidade que não pode ser ignorado.
O eleitor pode desejar votar em Arruda. Os partidos podem querer apoiá-lo. As pesquisas podem colocá-lo na segunda posição.
Mas a consolidação de sua candidatura dependerá de sua capacidade de obter e manter o registro eleitoral.
Essa é a principal variável política e jurídica da corrida ao Palácio do Buriti.
A eleição está polarizada, mas ainda não está decidida
O Paraná Pesquisas mostra uma disputa claramente concentrada entre Celina Leão e José Roberto Arruda.
Celina possui a vantagem da liderança, da aprovação administrativa e da estrutura política.
Arruda possui memória eleitoral, uma base consolidada e capacidade de mobilização.
Leandro Grass tenta romper a polarização. Ricardo Cappelli, Paula Belmonte e Kiko Caputo disputam espaço em uma eleição que já entrou em sua fase decisiva.
A pesquisa deixa uma conclusão central.
Celina é a favorita, mas Arruda continua no jogo.
A governadora precisa vencer a disputa política. O ex-governador precisa vencer a disputa política e superar a instabilidade jurídica que cerca sua candidatura.
É justamente essa combinação entre voto, rejeição, estrutura partidária e Justiça Eleitoral que transforma a corrida ao Palácio do Buriti em uma das eleições mais imprevisíveis da história recente do Distrito Federal.
