Em conversa após encontro com protetores do DF, delegado afirma que defesa dos animais é uma missão de vida e diz que experiência na Polícia Civil o levou a buscar espaço no Legislativo
A defesa da causa animal deixou de ser apenas uma pauta profissional para se transformar em uma missão de vida para o delegado Jônatas Silva. Em entrevista ao portal Rádio Corredor, após um encontro com protetores, ativistas e voluntários realizado nesta quinta-feira (30), ele falou sobre a trajetória construída ao longo de mais de duas décadas na Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a experiência à frente da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais (DRCA) e a decisão de disputar uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

“Eu não cheguei agora na causa animal. Essa é uma luta que faz parte da minha história há anos. A proteção dos animais sempre esteve presente na minha vida e, com o tempo, se tornou uma missão”, afirmou o delegado.
Jônatas lembra que sua relação com o tema ganhou ainda mais força durante o período em que comandou a DRCA, onde permaneceu por dois anos. À frente da unidade, participou de investigações que envolveram casos de maus-tratos, abandono e tráfico de animais, acompanhando de perto não apenas o trabalho policial, mas também a realidade de protetores que atuam diariamente para salvar vidas.
“A delegacia me mostrou uma realidade muito dura. A polícia normalmente chega quando o problema já aconteceu: o animal já sofreu, já foi abandonado, o protetor já está sobrecarregado. Eu percebi que precisava atuar também na prevenção, buscando políticas públicas que evitem que esses casos continuem se repetindo”, disse.
Segundo o delegado, a experiência acumulada na Polícia Civil foi determinante para a decisão de entrar na política.
“Eu não estou deixando uma causa. Estou buscando ferramentas maiores para defendê-la. A polícia investiga, prende e combate o crime, mas muitas soluções passam por leis, orçamento e políticas públicas permanentes”, explicou.
Pré-candidato a deputado distrital, Jônatas afirma que pretende levar para a CLDF propostas voltadas ao fortalecimento da proteção animal, como ampliação dos programas de castração, melhoria da rede pública de atendimento veterinário, criação de estruturas de acolhimento temporário e maior suporte aos protetores independentes.
“Hoje, muitos protetores carregam nas costas uma responsabilidade que também precisa ser compartilhada pelo Estado. São pessoas que tiram recursos do próprio bolso, deixam de fazer muitas coisas para cuidar de animais que foram abandonados. Defender a causa animal também significa cuidar de quem cuida”, afirmou.
O encontro com ativistas, realizado nesta quinta-feira, foi marcado por relatos de quem vive a causa na prática. Protetores compartilharam histórias de resgates, dificuldades financeiras, falta de estrutura e desafios no relacionamento com o poder público.
Para Jônatas, ouvir essas pessoas é essencial para construir políticas mais eficientes.
“Quem está na ponta conhece o problema de verdade. São essas pessoas que sabem onde estão as maiores dificuldades e quais soluções podem funcionar. A política precisa ouvir mais quem vive a realidade todos os dias”, afirmou.
Além da causa animal, o delegado também defende que o combate aos maus-tratos está ligado a outras áreas da segurança pública e da proteção social.
“Os crimes contra animais não podem ser vistos de forma isolada. Existe uma relação entre a violência contra animais e outras formas de violência. Quem agride um ser vulnerável demonstra um padrão de comportamento que precisa ser enfrentado”, destacou.
Com mais de 20 anos de serviço público, Jônatas afirma que pretende levar para a política os mesmos princípios que marcaram sua atuação policial.
“Eu acredito em trabalho, responsabilidade e coragem para enfrentar problemas difíceis. A população está cansada de discursos. O que as pessoas querem ver são resultados”, afirmou.
Ao relembrar sua trajetória, o delegado diz que a causa animal resume um compromisso que começou antes de qualquer projeto político.
“Minha história com os animais não começou agora e não depende de eleição. O que estou fazendo é colocando minha experiência à disposição para tentar construir soluções maiores para uma causa que sempre fez parte da minha vida”, concluiu.


