Há políticos tentando enfraquecer a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, da União Progressista. O que pouca gente percebeu, porém, foi a capacidade que ela demonstrou de suportar pressões, atravessar crises e permanecer firme.
Celina não encontrou um cenário político tranquilo. Precisou administrar problemas com o MDB, insatisfações dentro da própria base e vários quebra-cabeças durante as convenções partidárias. Mesmo diante de tantas dificuldades, não perdeu o controle da disputa.
Agora, precisa aproveitar esta semana para organizar a base e colocar a casa em ordem.
Muita gente trata Celina como se ela fosse uma candidata qualquer. Não é. Celina Leão é a governadora do Distrito Federal, tem a máquina administrativa e mantém poder político.
Posso até receber críticas por afirmar isso, mas, caso José Roberto Arruda seja liberado para disputar, acredito que Celina teria condições de derrotá-lo em um confronto direto. A própria eleição já começa a ficar monopolizada entre os dois.
A disputa pelo Senado
Na disputa pelo Senado, Michelle Bolsonaro aparece como um nome muito forte e com possibilidade real de conquistar uma das vagas. A segunda cadeira, entretanto, pode escapar da direita por falta de articulação.
As candidaturas avulsas dentro do mesmo campo político representam um problema. Uma candidatura do Podemos retiraria votos de Bia Kicis, assim como a candidatura de Sebastião Coelho, pelo Novo, também disputaria uma parcela desse eleitorado.
Esse é o calcanhar de Aquiles de Bia.
Mesmo com o fenômeno eleitoral de Michelle Bolsonaro, Bia Kicis corre o risco de ficar sem mandato. A falta de habilidade política nos bastidores, especialmente por ocupar a presidência do PL no Distrito Federal, pode cobrar um preço alto.
O PL, de acordo com os próprios bastidores que este jornalista acompanha, subiu em um pedestal e não demonstra poder de articulação. O partido não ofereceu nenhuma suplência ao Senado para agregar a própria base e continua fechado na questão ideológica.
A segunda vaga pode ficar com a esquerda
Enquanto a direita divide votos e acumula dificuldades de articulação, nomes como Leila Barros e Érika Kokay ganham espaço. Por isso, a segunda vaga ao Senado tende a ficar com a esquerda.
Michelle Bolsonaro tem força para fazer um grande passeio eleitoral. A segunda cadeira, porém, está completamente aberta. Se o cenário permanecer assim, Leila ou Érika terão grandes chances de abocanhá-la.
Uma das boas notícias para o campo bolsonarista é que o presidenciável Flávio Bolsonaro voltou a crescer nas pesquisas e recuperou força nacionalmente. Em Brasília, entretanto, isso não resolve os problemas locais do PL.
O PL também pode perder espaço nas proporcionais
O partido se comporta como uma espécie de legião estrangeira, distante da política feita na planície. Se continuar assim, poderá perder espaço também nas disputas para deputado federal e distrital.
Na Câmara Legislativa, existe até o risco de o PL perder pelo menos uma cadeira por causa de uma articulação capenga nos bastidores e da pouca habilidade para conversar com quem está fora do núcleo mais fechado do partido.
Basta reler com atenção.
Se ainda restar alguma dúvida, pergunte ao seu político preferido em off. Provavelmente ele vai confirmar boa parte do que está escrito aqui.
A política do DF é muito doida.