Por Felipe Fiamenghi

No mundo, existem poucas coisas mais imbecis do que o fanatismo. Este, provavelmente, é o maior mal da humanidade.

A polarização ideológica é algo tão bizarro que, hoje, a mesma pessoa pode ser “inimiga” dos dois lados. Eu mesmo sou chamado de fascista pela esquerda e comunista pelos intervencionistas.

Essa semana, aliás, fui “xingado” até de “legalista”.

Para os que defendem a anarquia, zelar pela legalidade é uma ofensa grave. Muitos nem sabem o que defendem. Diariamente me deparo com pessoas que se declaram conservadoras porque desconhecem o que é conservadorismo. Julgam que significa ser “saudosista” do passado. Se conhecessem o básico de política, se ao menos tivessem visto o diagrama de Nolan, saberiam que não passam nem perto de serem conservadores.

Posicionamentos políticos, aliás, acabam gerando algumas ironias. As ideologias que mais se odeiam, geralmente, são as que mais se aproximam. Comunistas e fascistas, por exemplo. Cada um ao seu modo, ambos defendem o totalitarismo de um Estado forte e onipresente.

Ser conservador é JUSTAMENTE abandonar as ideologias. Conservar o que é bom e modificar o que não é; entendendo que as necessidades da sociedade variam de acordo com o momento.

Em 2016, por exemplo, o impeachment de Dilma Rousseff foi uma necessidade. O PT, no poder, tornou-se uma organização criminosa, com praticamente todos os seus líderes presos ou denunciados, que aparelhou e pilhou o Estado à exaustão. Uma ruptura, naquele momento, era necessária até para a preservação da democracia.

 

ÚLTIMO RECURSO

Isso não significa, porém, que um processo de impedimento deva ser banalizado, tonando-se regra em caso de insatisfação com o Presidente eleito. As consequências para o país são gravíssimas e, portanto, deve ser utilizado somente como último recurso. Caso contrário, a cada 4 anos existem novas eleições e o descontentamento pode ser demonstrado nas urnas.

A alternância de poder também é inevitável e demonstra a saúde do Estado Democrático. As últimas décadas da história brasileira, aliás, provam isso. Durante 21 anos, fomos tutelados por um governo militar altamente protecionista.

Depois disso, éramos tão politicamente analfabetos que mantivemos a mesma ideologia no poder, sem nem percebermos, pelos 33 anos seguintes.

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Em alguns momentos a sociedade precisa de maiores intervenções sociais. Isso é inegável. Em outros, porém, faz-se necessário um maior foco no mercado, na iniciativa privada.

Infelizmente, não existe ninguém (ou nenhum governo) perfeito. Temos, então, que ter a sensibilidade para identificar as necessidades imediatas.

É justamente por isso que não podemos esperar que ideologias cegas funcionem. Na atual situação brasileira, por exemplo, onde as administrações passadas deixaram 25% dos cidadãos dependentes de alguma ajuda governamental, como defender o cancelamento dos programas sociais?

Podemos, sim, defender políticas mais eficientes; programas sociais com porta de saída, onde o beneficiado, no final, consiga seu sustento dignamente, sem depender do Estado.

Mas não podemos esperar que um país com 20 milhões de desempregados, do dia pra noite, transforme-se em uma utopia meritocrata.

Apoiei Bolsonaro (e continuo apoiando) não porque acredito que ele seja o melhor político do mundo. Longe disso. Tem falhas (e muitas), mas é a “ferramenta” necessária para a nossa atual “empreita”.

Não estamos na fase de acabamento; estamos derrubando paredes. Não podemos, portanto, usar um martelinho de borracha.

Não significa, porém, que vou defender o uso de dinamite, para implodir toda a “casa”. Afinal, estamos dentro dela.

Tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO pelo que estamos passando, neste momento, É RESPONSABILIDADE NOSSA. Fomos nós que, por atos ou omissões, permitimos que a situação chegasse aonde chegou.

Da mesma forma que repudio os que fazem de tudo para minar a governabilidade e desrespeitar a vontade das urnas, também repudio aqueles que desrespeitam os Poderes da República e atacam as instituições.

Discordo veementemente das atitudes de determinadas autoridades. Nunca, porém, ganharemos “no grito”. Enquanto berramos, aliás, os “poderosos” riem das nossas caras. Exstem as LEIS. Cabe ao povo fazer com que estas sejam cumpridas, Cobrando a quem de DIREITO.

Se defendemos ilegalidades para combater os que comentem ilegalidades, significa que lutamos somente pela imposição da nossa opinião. Nada além!

Tornamo-nos, então, idênticos àqueles que alegamos combater; separados apenas pela “trincheira ideológica”.

 

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