As outras Déboras do 8 de janeiro

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de conceder prisão domiciliar à cabeleireira Débora Rodrigues gerou uma série de questionamentos sobre o impacto da opinião pública nas decisões judiciais. Esse benefício será estendido a outros condenados em situações semelhantes? Será estendido aos idosos e tantas outras Déboras?

Enquanto isso, o caso de Eliene Amorim de Jesus, manicure natural do interior do Maranhão, permanece sem resolução e cada vez mais questionável. Detida no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, Eliene é acusada de envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, mas, ao contrário de outros casos, seu julgamento ainda não aconteceu e ela continua presa, e o pior: sem provas claras de sua participação. Eliene foi presa em março daquele ano, na quitinete onde morava no bairro Angelim, em São Luís. Segundo o jornalista José Linhares Júnior, que compartilhou a história nas redes sociais, não existem evidências diretas que a liguem à organização ou depredação dos prédios públicos em Brasília.

O que levou à sua prisão foi, em grande parte, a publicação de um story em que ela falava sobre escrever um livro sobre os acontecimentos do 8 de janeiro. Ela estava nas proximidades do Palácio do Planalto naquele dia, mas, até agora, não há qualquer vínculo claro entre ela e os ataques. Eliene segue detida, sem previsão de julgamento, enquanto o caso se arrasta. O que está em jogo aqui não é apenas a prisão de uma inocente, mas a própria injustiça de um sistema que demora a agir.

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