Por Felipe Fiamenghi

Falácia deriva do verbo italiano “fallere”: Enganar

Uma falácia argumentativa, portanto, é uma argumentação que induz ao erro, que engana o público. Os exemplos são os mais diversos: Dissonância cognitiva, Apelo à autoridade, Argumentum ad Lázarum, Falácia do Espantalho, Falsa dicotomia, Argumentum Ad Hominem, entre tantos outros. Nenhum deles foi criado ontem. Todos existem desde que os Seres Humanos passaram a emitir opiniões e discutir ideias. Ultimamente, porém, as falácias argumentativas estão norteando o debate político.

A internet é uma das mais poderosas ferramentas democráticas já inventadas. Arrisco a dizer que pode ser a mais poderosa delas. A rede deu voz a qualquer um que possa acessá-la. Aqui, em posse de um celular ou computador, todos nós podemos expor nossos pensamentos; defender nossos ideais.
Entretanto, como tudo na vida, ela também pode ser usada para o mal.

Com as redes sociais, mecanismos de buscas e portais de notícias, passamos a receber uma quantidade absurda de informações. De acordo com o IBGE, em 2018, 80% dos brasileiros já estavam conectados. Ou seja, não estamos mais dependentes da grande mídia, de seus jornais e de suas linhas editoriais. A informação deixou de ser um monopólio.

Todavia, como já dizia o Homem Aranha, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. A nossa independência da imprensa regular, obrigatoriamente, nos deixa responsáveis por analisar as noticias recebidas e “filtrar” as verdades, em meio a um oceano de mentiras.

E isso pode ser muito mais difícil do que parece. As falácias argumentativas, geralmente, são extremamente sedutoras. Temos uma imensa tendência a aceitá-las. O Apelo à autoridade, por exemplo, levou todo o mundo a se trancar em casa, fechando pessoas saudáveis em quarentena, sem nenhuma comprovação científica da eficiência. A OMS, a “autoridade mundial de saúde”, mandou. Pronto! Este mesmo exemplo fez com que muitos brasileiros acreditassem que, até agosto, teríamos 1 milhão de mortos. Afinal, foi um biólogo, doutor em virologia, quem disse.

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Mesmo quando o erro, induzido pela primeira falácia, fica explícito, ainda resta outro recurso: A Dissonância Cognitiva.

Por exemplo: “Só não tivemos 1 milhão de mortos (longe, muito longe disso) porque fizemos a quarentena”.
Parece absurdo mas é aceito pelo “público”, por ser muito mais confortável do que reconhecer o erro e admitir que fomos feitos de bobos. Desta forma, o argumentador ainda é tratado como herói, porque o seu alerta inicial (falacioso) impediu que uma tragédia acontecesse.

Outro exemplo foi o escândalo do “ativista” Renan Santos, na live feita após a prisão de Luciano Ayan, o “guru” do MBL . Nela, o co-fundador do movimento, absolutamente transtornado, chama Bolsonaro de “corrupto e filho da puta”, fala que a operação da Receita Federal foi ordenada por Paulo Guedes, a quem ele xinga de “um bosta”, e afirma que o Ministério Público baseou suas investigações em “Fake News”.

Uma demonstração clássica de Argumentum Ad Hominem; onde quando não se consegue desqualificar o fato: Ayan é um criminoso, desqualifica-se os adversários, numa tentativa torpe e rasteira de, assim, desacreditá-los.

Aprender a reconhecer e desconsiderar este tipo de narrativa é uma necessidade para engrandecer o debate político. Caso contrário, a internet, com todo o seu potencial de amadurecimento democrático, tornar-se-á apenas um território de alienados, incapazes de absorver toda a informação preciosa que têm à disposição.

 

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