Por Felipe Fiamenghi 

Talvez o traço mais evidente da nossa ancestralidade primitiva, da nossa necessidade de sobrevivência. Um sentimento poderosíssimo, necessário, que pouquíssimos conseguem controlar.

Por isso, justamente por isso, o medo sempre foi e sempre será usado para o controle das massas.

No mundo antigo, sem tecnologias que garantissem os alimentos, eram totalmente dependentes do clima. Tinham medo, então, de estiagens, de intempéries e, impotentes contra as forças da natureza, faziam sacrifícios, inclusive humanos, inclusive dos próprios filhos, para que os deuses lhe agraciassem com bom tempo e colheitas fartas.

Na idade média a medicina era primitiva e estavam cercados de doenças. Tinham medo, então, de qualquer febre que pudesse assolá-los. Na maioria dos casos, uma simples bactéria era uma sentença de morte.

Associavam doenças à bruxaria e, assim, denunciavam todo e qualquer “suspeito” de fazer pactos com o diabo. Em um caso famoso, na cidade de Salém, Massachusetts, 30 pessoas acabaram condenas e 19 enforcadas, devido a um fungo do trigo, que intoxicou e causou alucinações em quem comeu os pães contaminados.

Estamos em 2020. A fé, hoje, não é mais em deuses pagãos. Até a fé cristã já é bastante menor do que a de outrora. A crença, agora, é na toda-poderosa ciência, que pode ser tão má interpretada quanto as Escrituras Sagradas.

Nessa “religião contemporânea”, os sacerdotes são os jornalistas e a liturgia é o noticiário.

Os princípios, porém continuam iguais. O medo de um vírus fez com que todos se isolassem, baixando as próprias imunidades, sacrificando a economia e provocando consequências muito piores do que a própria doença temida. Não importa.

Os “sacerdotes” disseram que foi o que a ciência mandou.

É um raciocínio bizarro, mas surpreendentemente eficiente. Basta transformar os covardes em heróis, incentivar seus medos e mostrá-los que, assim, temerosos, estão contribuindo para o “bem-comum”.

Ah, o “bem comum”, essa causa nobre que exime todos os pecados daqueles que o buscam. Em nome dele, pais sacrificaram filhos, Cristãos queimaram “bruxas”, cidadãos denunciam o vizinho que busca o sustento da família… Mas sempre com as melhores intenções.

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E não adianta querer provar para os “crentes” que tudo isso é uma bobagem.

Não adianta explicar que, independente da curva de contágio, o número de mortos seria idêntico; que uma vacina não chegará tão logo e, neste tempo, o vírus pode sofrer mutações; que o Covid nunca mais “sumirá” e a pandemia só “terminará” quando tivermos adquirido imunização coletiva; que a Unicef já prevê que as consequências do isolamento causarão a morte de mais de UM MILHÃO DE CRIANÇAS…

Nem adianta mostrar a opinião de trocentos outros especialistas, até mais especializados do que os que estão seguindo fielmente. Se não fizer parte da “igreja da mídia”, é um herege conspiracionista, que não está pregando a “verdadeira palavra”. Giordano Bruno manda lembranças.

Nessa religião do novo século, substituímos o véu pelas máscaras e, mais sensíveis do que os antigos, não sacrificamos pessoalmente os nossos “ofertados”; mas deixamos que eles morram de fome. A fé nos rituais continua inabalável.

Mesmo com milhares morrendo, juramos que a quarentena é eficiente. É o que os “sacerdotes” mandaram, oras. Se não está funcionando é porque existem os hereges, que não a respeitam, mesmo que estes não se contaminem.

O ódio pelos descrentes, aliás, continua o mesmo. Ainda acreditamos que é deles a culpa pelas mazelas humanas e que são eles os causadores da fúria dos deuses, que também se abate sobre os “justos”. Só que, agora, os chamamos de “ignorantes”, em vez de “bruxos”. Não deixamos, porém, de denunciá-los às autoridades: Os inquisidores eleitos nas urnas.

 

 

Felipe Fiamenghi é empresário e jornalista

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