Por Miguel Lucena

Conheci um bacharel em Direito, filho de uma juíza baiana, que confundia os institutos jurídicos, aplicando Direito Civil no Penal e vice-versa. Errava sempre nos concursos. Em outro campo, tem gente que confunde ofensa com sinceridade.

Uma assessora do ministro Paulo Guedes, ao dizer que a morte de idosos durante a pandemia de coronavírus seria benéfica para a economia, porque reduziria o déficit previdenciário, quis ser sincera, mas acabou proferindo uma ofensa aos brasileiros que já deram sua contribuição para o Brasil, inclusive para sustentar os desempregados e carentes beneficiados pelos programas sociais.

Você não pode corrigir uma pessoa chamando-a  de burra, nem dar um perfume de presente alegando que o presenteado é fedido, mesmo que seja.

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Dar uma esmola e dizer que o mendigo só pode usar aquele dinheiro com comida é uma humilhação e uma ofensa.
Dar conselhos machucando feridas do aconselhado é uma ofensa que este não esquece, por isso a sabedoria popular cunhou o adágio de que se conselho fosse bom não seria dado, mas vendido.

Está na hora de alguém avisar às autoridades que sinceridade e ofensa são coisas diferentes.

 

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*Miguel Lucena é Delegado de Polícia do Distrito Federal, jornalista e escritor.

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