Ser praticante de religião de matriz africana, como Umbanda e Candomblé, ainda hoje significa lutar pelo respeito e liberdade no Brasil. Principais alvos do preconceito religioso, lidam com ofensas, agressões e intolerância.

No Brasil, a liberdade de credo é garantida pela Constituição Brasileira. Mas ao longo da nossa história vimos o oposto disso acontecer. Fomos palco de repressão e discriminação em relação às religiões de matriz africana, baseadas nos valores civilizatórios negro africanos.

Até hoje, o Brasil carrega as marcas profundas deixadas em mulheres e homens africanos trazidos para servir como mão de obra escrava. Entre os séculos 16 e 19, aquele povo tinha na preservação da sua cultura e crença a resistência contra a violência a que foram submetidos.

Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), em cinco anos, as denúncias de discriminação por motivo religioso cresceram 4960%. Estatísticas mostram que a cada 15 horas, o Disque 100 recebe denúncia de intolerância religiosa.

O artigo 5º da Constituição assegura que nenhum cidadão seja alvo de discriminação ou violência relacionado à crença. Incitar injúria ou difamação, prejudicar o culto ou danificar espaços religiosos é crime.

Alvo de perseguição religiosa

Em pleno 2019, religiões de matriz africana continuam sofrendo veladamente intolerância religiosa. As insistentes denúncias travestidas de preconceito que tentam segregar a Fraternidade Universalista da Divina Luz Crística, localizada no Park Way, já tiveram diferentes frentes de acusações.

O barulho que vinha da tenda foi resolvido com paredes, vidro e laudo técnico de medição sonora. Resolvida a questão sonora, o que passou incomodar foram os carros estacionados na rua, um novo local de estacionamento foi definido. Sem problemas. Agora, a denúncia caiu sobre o alvará de funcionamento de templo religioso.

Leia Também:  Bia Kicis: 'Bolsonaro nunca foi de partido'

Após a apresentação de toda a documentação para o pedido de alvará comprovando ser um templo religioso, conforme determina a lei, a Administração Regional do Park Way, negou para templo religioso e afirma que o local se enquadra como comércio. Além de não terem sido reconhecidos como templo, no último dia 05 de fevereiro, o local recebeu alta de interdição.

Apesar de toda a articulação para impedir que as portas da casa permaneçam abertas, todos os documentos entregues aos órgãos responsáveis estão em dia e reconhecidamente legais. O CNJP reconhecido como associação, o estatuto reconhecido como templo e toda a documentação de que são realizadas atividades religiosas e sociais sem fins lucrativos.

Trabalho social

A importância e preocupação em manter a fraternidade em funcionamento se dá em relação a todo o trabalho desenvolvido no local. Além de atendimentos espirituais, realizados no Brasil e internacionalmente, há um trabalho social, filantrópico, junto a moradores de rua, mulheres em situação de vulnerabilidade, em defesa dos animais, entre outros.

Histórico

Na capital federal, em novembro de 2015, um terreiro de candomblé foi incendiado, sem deixar vítimas. Mas o que chama a atenção é o número registrado no mesmo ano, outros 12 incêndios similares.

Nota da redação

Cada vez mais é necessário humanizar as pessoas, tratar elas como realmente são, com a compreensão, tolerância e compaixão em relação às diferenças. A única verdadeira diferença entre você e aquela pessoa que trabalha com espiritualidade é apenas a prática e os estudos que ela aborda.

É preciso liberar as amarras, somos todos capazes de viver uma vida espiritual de forma livre com o entendimento que não há uma única pessoa detentora da verdade. Espiritualidade é união e ninguém está acima ou abaixo nessa corrente.

Por Camila Borges

rodape 255x95 - Entidade sofre perseguição religiosa

vote
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
1 Comentário
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments

Odir Ribeiro

Odir Ribeiro é jornalista, blogueiro e multimídia que desde 2011 cobre os bastidores da política do DF.