Para quem se diz defensor dos direitos humanos, o deputado distrital Fábio Felix escorregou feio na coerência. Em uma postagem no Instagram, ele ironizou a ação do 8 de janeiro contra “Senhorinhas com suas Bíblias nas mãos”. Felix destacou que, na realidade, o STF “apenas” prendeu 43 idosos com mais de 60 anos. Mas vem cá, deputado, desde quando prender 43 idosos é algo irrelevante?
A invasão e depredação das sedes dos Três Poderes devem ser punidos dentro dos limites da lei. No entanto, minimizar a prisão de 43 idosos não apenas ignora o princípio da proporcionalidade, como também revela uma seletividade preocupante no discurso sobre direitos humanos. Afinal, essas pessoas, independentemente de idade ou crença, deveriam ser julgadas com base em provas individuais, e não apenas por estarem no local.
Se Felix realmente estivesse preocupado com justiça, estaria cobrando respostas para as perguntas certas. Por exemplo: onde estão as imagens de segurança do 8 de janeiro que simplesmente desapareceram? Por que não se fala mais sobre G. Dias, que claramente tinha informações importantes e sumiu do mapa? E, o mais intrigante, como os prédios mais protegidos do Brasil estavam praticamente sem segurança justo naquele dia? Afinal, todos nós, moradores do Distrito Federal, sabemos como funciona a segurança dos prédios públicos.
A defesa incondicional de figuras de poder, sem qualquer questionamento sobre os excessos cometidos, compromete a credibilidade de qualquer discurso sobre direitos humanos. Não há justiça legítima quando a aplicação da lei se torna uma ferramenta política, nem quando algumas violações são ignoradas em nome de conveniências ideológicas.
Se há algo que deveria ser inegociável para qualquer defensor dos direitos humanos, é a imparcialidade na justiça, especialmente se tratando de idosos ou “Senhorinhas com suas Bíblias nas mãos”.