Por Simone Leite

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou na semana passada o bloqueio internacional dos perfis das contas no Twitter e Facebook de ativistas digitais investigados no inquérito das Fake News não apenas no Brasil, mas também no exterior.

A decisão ocorreu após os ativistas, mesmo com o bloqueio de contas imposto em território nacional, conseguirem continuar nas redes através do registro de suas contas em outros países. 

Após uma reação inicial, o Twitter e o Facebook acataram a decisão de Moraes, mas anunciaram que irão recorrer da medida. O bloqueio dessas contas é um assunto polêmico, pois mexe com a liberdade de expressão. 

Saindo da discussão jurídica e olhando para aspectos políticos, é improvável que o bloqueio de alguns perfis abale a articulação bolsonarista nas mídias digitais.

Além disso, com a punição internacional imposto aos usuários, Twitter e Facebook acabaram se tornando “aliados” dos ativistas digitais envolvidos, pois essas redes temem que a decisão tomada por Alexandre de Moraes crie uma jurisprudência para que outros países façam o mesmo em relação a outros usuários. 

Outro aspecto é que o bloqueio das contas fortalece ainda mais a narrativa de que existe uma perseguição do STF contra Jair Bolsonaro. 

Prova disso foi a decisão do jornalista Allan Santos, do site “Terça Livre” em deixar o país. Allan também acusou os ministros Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso de supostamente estarem conspirando para “derrubar” Bolsonaro. 

O bloqueio dessas contas também reforça a imagem de anti-establishment pretendida por esses líderes.

Reações negativas

A disputa política em torno desse tema pode crescer no Congresso. Neste fim de semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), convidou o youtuber Felipe Neto, que tem ganhado protagonismo como um crítico do bolsonarismo.

Contudo, o convite de Maia e Neto gerou reações negativas entre aliados do presidente. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) cobrou que Maia também convide para esse debate líderes de direita. 

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Simone Leite

Simone Leite atuou como repórter, produtora de TV, assessora de imprensa e editora de notícias. Há nove anos, atua diretamente na política, área que se diz apaixonada!