Os dedos doloridos e os músculos dos braços rígidos, agarrados aos balaústres, resistem ao balanço, arranques e freadas do ônibus lotado. Mas o maior problema não é esse. O risco de se contaminar pelo novo coronavírus é muito maior devido o caos no transporte público do DF. É uma verdadeira lata de sardinha sobre rodas.

Depois de trabalhar o dia inteiro, o motorista da Piracicabana Josué Gonçalves da Rocha, de 41 anos, precisa de resistência no ônibus na volta para casa, em Brazlândia. O drama é o mesmo da auxiliar de enfermagem Jordana Rodrigues da Costa, de 28, que além do aperto no coletivo, também enfrenta o risco de se contaminar tanto no transporte como no hospital onde trabalha.

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Segundo o governador Ibaneis Rocha, a Secretaria de Transporte e Mobilidade mantém uma intensa fiscalização sobre o setor. Mas será mesmo? As imagens dos noticiários e outras viralizadas nas redes sociais e aplicativos de conversas mostram o contrário.

Nesta terça-feira (23), o distrital João Cardoso (Avante) se solidarizou com a categoria de rodoviários e voltou a reivindicar prioridade na imunização contra a covid-19 a motoristas e cobradores do transporte público do DF.

Se o trabalhador, que vive no aperto de uma lata de sardinha, não está no grupo prioritário, aumentar a frota e imunizar os rodoviários é o mínimo a ser feito pelo governador Ibaneis Rocha.

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Simone Leite

Simone Leite atuou como repórter, produtora de TV, assessora de imprensa e editora de notícias. Há dez anos, atua diretamente na política, área que se diz apaixonada!