Por Simone Leite

Em primeiro lugar, ainda não há crime que possa ser atribuído ao presidente da República. As “acusações” do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, ainda não foram confirmadas. De certa forma, o pedido de investigação feito pela Procuradoria-Geral da República pode “segurar” o andamento de um processo de impeachment na Câmara.

Apesar da pressão política, que certamente sofrerá por parte dos partidos de oposição, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deverá ter cautela. Ressalte-se que todo esse episódio envolvendo a saída de Moro do governo deixou Bolsonaro altamente dependente de Maia. A decisão de acatar ou não um processo contra o presidente é de competência exclusiva do presidente da Câmara. Durante a gestão de Michel Temer, apesar de inúmeros processos apresentados contra ele, Maia não deu prosseguimento a nenhum deles.

O segundo aspecto é que, mesmo sem uma base formal no Congresso Nacional, Jair Bolsonaro conta com o apoio de algumas bancadas informais.

Bancada Ruralista:
Câmara – 243
Senado – 39

Bancada da Bala:
Câmara – 306
Senado – 14

Bancada da Bíblia:
Câmara – 195
Senado – 10

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As três bancadas mais próximas do governo são a ruralista, a da bala e a da Bíblia. Em média, essas bancadas podem garantir 230 votos na Câmara e 21 no Senado. Com 172 votos Bolsonaro consegue evitar a abertura de um processo na Câmara, pois para aprová-lo são necessários 342 votos, e há 513 deputados na Casa.

O terceiro aspecto é que Bolsonaro ainda conta com apoio popular expressivo mesmo após a saída do agora ex-ministro Sérgio Moro. Por fim, vale mencionar a vontade e o clima político. Em 2017, duas denúncias oferecidas pela PGR contra o então presidente Temer foram rejeitadas pela Câmara. Maia, no entanto, vem sinalizando que um processo de impeachment é algo impossível para o momento.

Renúncia

Jair Bolsonaro afirmou não cogitar a possibilidade de renunciar ao cargo mesmo frente a pedidos de impeachment da oposição.

“Da minha parte, a palavra ‘renúncia’ não existe”, disse o presidente. “Fico feliz por estar na frente de um problema grande como esse. Fico pensando se tivesse o outro que ficou em segundo lugar aqui”, disse, em referência ao candidato Fernando Haddad (PT), derrotado no segundo turno das eleições de 2018.

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Simone Leite

Simone Leite atuou como repórter, produtora de TV, assessora de imprensa e editora de notícias. Há dez anos, atua diretamente na política, área que se diz apaixonada!