Sérgio Moro exonerou-se para assumir o cargo de Ministro da Justiça com a garantia de que seria o candidato natural ao cargo de Ministro do STF.

E, de fato, nos corredores de Brasília, tem-se como certo que a primeira vaga no STF, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello, será de Moro, se ele quiser.

Será que Moro terá o desejo de ser ministro do STF, misturando-se aos outros 10 Ministros, logo no início do governo?

O cargo de Ministro da Justiça é muito poderoso, e Moro tem ambições de transformar o país. Pode-se dizer que o capital político de Moro é potencialmente maior que o de Bolsonaro.

Abandonaria tudo isso para se encastelar no STF e ficar voto vencido? Ou tomar broncas do ministro Gilmar Mendes e ser chamado de novato?

Outra hipótese é que o próprio governo peça a Sérgio Moro que permaneça à frente do Ministério, pois sua eventual saída enfraqueceria sobremaneira o governo e sua legitimidade política e popular.

Nesse caso, ele abdicaria do direito de ser nomeado ministro do STF e ficaria fortalecido na missão governamental, ainda com o hedge de eventualmente ser nomeado para a segunda vaga do STF.

Em 2021, aberta a segunda vaga, Moro abriria nova rodada de negociações internas no governo. Desta vez, poderia abrir mão novamente, mas com a garantia de sair revigorado para a própria sucessão presidencial, como candidato do governo e de um novo grupo político.

Na hipótese de não ser possível, em havendo vontade política de Jair Bolsonaro cacifar-se na reeleição, por exemplo, Moro talvez aceite aquela segunda vaga, na aposentadoria de Marco Aurélio.

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No pior cenário, poderia transformar-se num advogado de renome internacional e viver em Nova York com sua família, ficando milionário de forma lícita, mas esse não ser seu foco.

No entanto, Moro seria o candidato ideal, muito provavelmente, para perpetuar o poder de um grupo político complexo, onde os militares e Paulo Guedes terão papel decisivo.  Não se pode esquecer que o chefe da Casa Civil confia muito em Sérgio Moro. Aliás, Moro hoje goza da confiança de quase toda a Esplanada.

Por que Bolsonaro abriria mão da reeleição? Há muitos fatores. Não se sabe até onde os escândalos com os filhos podem atingi-lo, pois dominar essa família não é fácil. Quem tem filho, sabe como é difícil cria-los. Mas o principal fator será a negociação da Reforma da Previdência com o Congresso Nacional.

O rodízio do poder faz bem à democracia. E Bolsonaro já sinalizou anteriormente ser contra a reeleição. Cumprir a palavra é uma característica boa dos grandes estadistas.

Bolsonaro quer entrar para a História e não pela porta dos fundos. Ter Sérgio Moro como sucessor pode lhe garantir esse passaporte.

Uma criatura maior que o próprio criador. Nossa aposta é em Sérgio Moro na sucessão presidencial. Anotem aí. E com uma máquina de guerra contra os adversários.

rodape 255x95 - As articulações para Sérgio Moro suceder Bolsonaro

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Odir Ribeiro

Odir Ribeiro é jornalista, blogueiro e multimídia que desde 2011 cobre os bastidores da política do DF.
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