Conheça Os Números da Eleição de 2022 vão te Impressionar

CARNAVAL PASSA, MAS A MATEMÁTICA FICA: O RAIO-X DA ELEIÇÃO DISTRITAL DE 2022 NO DF

A eleição para deputado distrital no Distrito Federal, em 2022, deixou uma lição objetiva: no sistema proporcional, ter muitos votos ajuda, mas não decide sozinho. Quem decide é a combinação entre voto individual e força do partido, porque as cadeiras são distribuídas pela matemática do quociente e pela capacidade de cada legenda montar uma nominata competitiva.

E os números de 2022 são didáticos ao extremo. Quando a gente coloca tudo no papel, fica claro por que tanta gente bem votada não assumiu mandato — e por que, em Brasília, eleição não é só campanha: é engenharia política.

O FUNIL ELEITORAL: QUEM PASSA DA BOLHA E QUEM NEM CHEGA PERTO

A primeira fotografia da disputa aparece na distribuição por faixas de votação. Ela mostra um DF extremamente competitivo no topo e pulverizado na base.

TABELA 1 – CONCENTRAÇÃO NO TOPO
Faixa de Votos N.º de Candidatos Observação Política
Acima de 20.000 votos 18 Elite eleitoral do DF
15.000 a 20.000 votos 12 Faixa de alto risco estratégico
10.000 a 15.000 votos 12 Zona competitiva dependente do partido
5.000 a 10.000 votos 33 Base de sustentação das nominatas
Menos de 1.000 votos 290 Pulverização eleitoral

Esse quadro revela três realidades:

  1. Existe um grupo seleto com grande densidade eleitoral (acima de 20 mil).
  2. Há uma “zona de perigo” entre 15 mil e 20 mil onde o candidato pode estar forte, mas continuar vulnerável ao partido e às sobras.
  3. A base é gigantesca: 290 candidaturas com menos de mil votos mostram como muitas campanhas entram apenas para compor nominata, sem competitividade real.
O TAMANHO DA PULVERIZAÇÃO: QUASE 80% NÃO CHEGA A MIL VOTOS

Quando se olha a proporção dessas faixas, o cenário fica ainda mais claro. Considerando apenas os grupos listados, temos 365 candidaturas mapeadas por faixa.

ANÁLISE PERCENTUAL (PESO RELATIVO)
Faixa de Votos Percentual aproximado
Acima de 20 mil 4,9%
15 a 20 mil 3,3%
10 a 15 mil 3,3%
5 a 10 mil 9,0%
Menos de 1 mil 79,5%

O dado fala por si: quase 80% das candidaturas não chegaram a mil votos.

Na prática, isso significa que o processo eleitoral distrital no DF tem um topo muito disputado e uma base enorme que, muitas vezes, existe para completar chapa e ajudar o partido a somar votos — ainda que esse candidato individualmente não tenha chance de cadeira.

O DADO QUE DESMONTA A ILUSÃO: OS NÃO ELEITOS TIVERAM MAIS VOTOS QUE OS ELEITOS

Agora vem o ponto que mais confunde o eleitor comum e que mais explica o sistema proporcional.

Em 2022, os 24 deputados eleitos somaram 611.104 votos.
Já os 51 candidatos não eleitos mais votados somaram 654.283 votos.

Ou seja: os principais não eleitos, juntos, fizeram mais votos do que os 24 que entraram.

TABELA 2 – COMPARATIVO GERAL
Grupo Total de Votos
24 Deputados Eleitos 611.104
51 Não Eleitos Mais Votados 654.283
Total dos 75 Mais Votados 1.265.387

Dado central: os não eleitos mais votados somaram 43.179 votos a mais que os eleitos.

Isso não é “injustiça do sistema”. É o sistema funcionando como foi desenhado: a cadeira não é prêmio individual. A cadeira é do partido/federação, e o candidato entra se estiver dentro do conjunto que atingiu o quociente e conseguiu vaga na distribuição.

O MAIS VOTADO: VOTO ALTO IMPORTA, MAS O TIME PRECISA ENTREGAR

O candidato mais votado foi Fábio Félix, do PSOL, com 51.792 votos.

O MAIS VOTADO
Candidato Partido Votos
Fábio Félix PSOL 51.792

Ser o mais votado dá força, dá legitimidade e coloca o nome no centro do debate. Mas, no sistema proporcional, o desempenho do partido continua determinante para quantas cadeiras aquela legenda consegue colocar na casa.

O QUE ESSES NÚMEROS MOSTRAM NA PRÁTICA

O retrato de 2022 permite tirar quatro conclusões objetivas, úteis tanto para o eleitor quanto para quem está montando estratégia para 2026.

1. O DF É ALTAMENTE CONCENTRADO

Apenas 18 nomes romperam a barreira dos 20 mil votos. Em uma eleição com 24 vagas, isso mostra o tamanho da disputa no topo e o quanto é difícil chegar nesse patamar.

2. A FAIXA DE 15 MIL A 20 MIL É A MAIS CRUEL

É a zona onde muitos acreditam estar eleitos, mas podem cair por um motivo simples: partido fraco, nominata mal montada ou desempenho insuficiente para disputar sobras. É a faixa do “quase”.

3. EXISTE UM BLOCO INTERMEDIÁRIO QUE SUSTENTA A CHAPA

Os 33 nomes entre 5 mil e 10 mil votos não são irrelevantes. Eles podem não levar cadeira, mas são parte do motor que ajuda a legenda a alcançar quociente, disputar sobras e fortalecer a chapa.

4. A BASE É GIGANTESCA E POUCO COMPETITIVA

Os 290 com menos de mil votos expõem a pulverização. Em muitos casos, são candidaturas lançadas sem musculatura eleitoral, mas que entram para cumprir papel partidário e compor nominata.

A LIÇÃO PARA 2026: QUEM NÃO ENTENDER A MATEMÁTICA VIRA ESTATÍSTICA

Em Brasília, o voto individual é importante, mas o jogo se ganha em equipe. É por isso que, em ano pré-eleitoral, a pergunta decisiva não é apenas “quanto eu faço de votos?”, e sim:

  • Em qual partido meu voto rende cadeira?
  • Minha nominata tem base e topo?
  • O partido tem densidade para quociente?
  • Se não fizer quociente, tem chance real nas sobras?

A eleição distrital no DF não perdoa improviso. Os números de 2022 mostram isso com clareza.

Carnaval passa.
A ressaca passa.
Mas a matemática eleitoral continua mandando no resultado.

E quem acha que eleição é só barulho, arrisca descobrir tarde demais que, no DF, quem não calcula… dança.

 

CINCO CURIOSIDADES EXPLOSIVAS SOBRE OS NÚMEROS DE 2022

1. MAIS VOTOS, MENOS PODER

Os 51 não eleitos mais votados fizeram 43.179 votos a mais que os 24 deputados que assumiram. Em qualquer lógica de maioria simples, isso mudaria completamente a composição da Câmara. No sistema proporcional, porém, o partido fala mais alto que o indivíduo.

2. MENOS DE 5% ESTAVAM NO TOPO

Apenas 18 candidatos ultrapassaram 20 mil votos. Isso representa menos de 5% do universo mapeado. Ou seja, romper a barreira dos 20 mil no DF é privilégio de poucos — é a verdadeira elite eleitoral.

3. A FAIXA DOS 15 MIL É A “TERRA DO QUASE”

Doze candidatos ficaram entre 15 mil e 20 mil votos. Em muitos estados, essa votação seria suficiente para garantir mandato. No DF, pode significar apenas suplência. É a faixa mais cruel da disputa.

4. 80% FICARAM FORA DO JOGO REAL

Quase 80% das candidaturas não chegaram a mil votos. Isso revela um sistema altamente concentrado, onde a maioria das campanhas não entra efetivamente na disputa competitiva. A eleição é, na prática, decidida por uma minoria organizada.

5. O INTERMEDIÁRIO DEFINE O DESTINO

Os 33 candidatos entre 5 mil e 10 mil votos podem não aparecer nas manchetes, mas são estratégicos. São eles que ajudam a legenda a alcançar quociente e disputar sobras. Muitas cadeiras são conquistadas por causa desse “exército silencioso” da nominata.

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