A disputa pelo Palácio do Buriti entrou numa fase em que os bastidores nacionais começam a pesar — e muito — no tabuleiro local.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, tem esticado a corda com Jair Bolsonaro e com Flávio Bolsonaro, hoje tratado por aliados como nome presidencial do bolsonarismo. O problema é que essa movimentação cobra preço alto em Brasília, um eleitorado majoritariamente de direita.
Nos bastidores, Kassab já é visto por setores da direita com o mesmo nível de rejeição atribuído ao PT. Essa percepção cria um efeito colateral direto: contamina politicamente quem estiver sob seu guarda-chuva, especialmente José Roberto Arruda, nome que enfrenta resistência explícita no campo conservador.
Arruda entre dois mundos
Interlocutores relatam que Arruda estaria buscando canais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa tentativa de garantir apoio caso a disputa chegue ao segundo turno. A estratégia, se confirmada, reforça a leitura de que o ex-governador tenta jogar em mais de um campo ao mesmo tempo — algo que a militância bolsonarista costuma punir com dureza.
O nó jurídico
Outro fator que adiciona tensão ao cenário é o risco jurídico. Juristas ouvidos nos bastidores sustentam que Arruda segue inelegível. Ainda assim, a avaliação é que ele tentaria empurrar a candidatura até o limite, mantendo-se no jogo político e judicial enquanto possível.
Já no segundo turno?
Curiosamente, o próprio Arruda tem repetido em conversas reservadas que já se vê no segundo turno. A confiança, porém, esbarra em duas pedras grandes:
- a rejeição da direita a Kassab e ao PSD;
- a possível revelação — ou confirmação — de aproximação com Lula.

O risco do efeito bumerangue
Num Distrito Federal de maioria conservadora, a combinação Kassab + PSD + flerte com Lula pode virar combustível para hate, desgaste digital e isolamento político. E aí surge a pergunta que ecoa nos corredores do poder:
👉 A base bolsonarista sabe — ou vai aceitar — que Arruda pede ajuda a Lula enquanto tenta manter discurso para a direita?
A resposta a essa pergunta pode definir não só alianças, mas o rumo inteiro da eleição no DF.