Arruda ainda tem força e mostrou poder de articulação

Estive na convenção do PSD com o Avante e constatei uma coisa: José Roberto Arruda ainda tem força política.

Ele teve seus problemas judiciais, e não pretendo entrar nesse mérito agora. Basta uma pesquisa rápida para qualquer pessoa conhecer esse histórico. O que analiso aqui é outra questão: mesmo depois de tudo, Arruda continua demonstrando capacidade de articulação e influência no cenário político do Distrito Federal.

Não estou falando apenas da quantidade de pessoas presentes na convenção. Isso, isoladamente, não mede a força de ninguém. Falo dos nomes que Arruda conseguiu reunir no mesmo evento.

Estavam lá Ronaldo Caiado, governador de Goiás e presidenciável; Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD; e Paulo Octávio, que, gostem ou não dele, continua sendo uma figura com força política e econômica em Brasília.

Celina resiste à pressão, enquanto a direita corre o risco de perder uma vaga no Senado

Faço questão de pontuar algo: eu, Odir Ribeiro, autor desta matéria, sei que algumas dessas pessoas podem não gostar de mim. Paulo Octávio, por exemplo, pode estar entre elas. Mas isso não me impede de reconhecer sua importância política. Jornalismo e análise política não podem ser movidos apenas por simpatias pessoais.

Arruda conseguiu a polarização que outros desejavam

O poder de articulação de Arruda, somado ao seu desempenho nas pesquisas e à polarização que conseguiu estabelecer com a governadora Celina Leão, é algo que muitos outros candidatos gostariam de ter alcançado.

Em praticamente todas as eleições, Arruda dá seu pitaco e participa, direta ou indiretamente, das articulações. Desta vez, porém, ele tenta voltar ao centro do tabuleiro como candidato ao Palácio do Buriti.

Isso mostra força, mas também expõe sua principal fragilidade.

Até agora, poucos partidos tiveram coragem de caminhar oficialmente com Arruda. Além do PSD, somente o Avante entrou nessa construção. A confirmação definitiva desse cenário dependerá das decisões partidárias e do quadro jurídico após 15 de agosto.

A insegurança jurídica em torno de sua candidatura não surgiu agora. Venho falando sobre isso há meses. Essa dúvida ajuda a explicar por que outras legendas evitaram uma coligação.

Mesmo assim, reunir figuras como Paulo Octávio, Gilberto Kassab e Ronaldo Caiado mostra que Arruda ainda é visto por muita gente como um político relevante. Seu desempenho nas pesquisas reforça essa percepção.

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Celina tem a máquina, mas Arruda virou a pedra no sapato

José Roberto Arruda possui pontos fortes e fracos. Celina Leão, atual governadora do Distrito Federal e filiada à União Progressista, leva vantagem por comandar a máquina pública. Na política, muitos grupos tendem a permanecer próximos de quem está no poder.

Mesmo enfrentando essa estrutura, Arruda conseguiu se transformar na principal pedra no sapato de Celina. Hoje, eleitoralmente, ele provoca mais preocupação do que o PT e os demais nomes da esquerda.

Isso revela que a prateleira de cima da política do Distrito Federal precisa de novos nomes.

As urnas de 2026 poderão mostrar se políticos como Rafael Prudente e Fred Linhares estão preparados para ocupar esse espaço. Também será importante observar os próximos passos dos deputados distritais Eduardo Pedrosa e Joaquim Roriz Neto.

Rafael Prudente e Fred Linhares aparecem, neste momento, como dois nomes com possibilidade de subir para essa prateleira. Mas tudo dependerá da votação que receberão e do tamanho político que sairão das urnas. O mesmo vale para quem for eleito ao Senado e poderá entrar naturalmente na disputa de 2030.

Antes de pensar em 2030, entretanto, é preciso conhecer o resultado de 2026.

O último dinossauro de uma geração

Arruda pode ser considerado um dos últimos dinossauros de uma geração que está promovendo uma lenta passagem de guarda na política do Distrito Federal.

Na esquerda, Leandro Grass representa uma geração mais nova. Celina Leão, tanto pela idade quanto pelo método político, também simboliza uma renovação diante dos remanescentes de ciclos anteriores.

Ainda assim, ninguém pode negar a força de José Roberto Arruda e sua capacidade de articulação.

Esta análise não pretende dizer qual convenção colocou mais gente na rua ou encheu mais cadeiras. O ponto é outro: mesmo enfrentando uma enorme máquina política, Arruda ainda encontra lideranças e eleitores dispostos a comprar seu barulho.

Na política, tamanho aparente não decide tudo. Quem se considera gigante nunca deve subestimar quem parece menor.

Entenderam o recado?

A política do DF é muito doida.

 Uma ajuda necessária

Peço licença aos leitores para tratar de algo sério. Neste final de semana, uma mãe saiu para fazer compras e teve o carro apreendido. A filha dela enfrenta um câncer, e o veículo é usado para levá-la às sessões de quimioterapia e aos demais atendimentos.

Quem puder contribuir, com qualquer valor, estará ajudando diretamente essa família. Para conhecer melhor a situação e entrar em contato com ela, basta acessar o vídeo publicado no Instagram.

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Instagram: Confira o vídeo e conheça a história

No meio de tanta loucura política, ajudar quem realmente precisa ainda é a melhor convenção que podemos fazer.

 

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