Avante troca a vice pelo Senado e tenta salvar espaço na chapa de Arruda

Indicação de Marley Mendonça revela uma acomodação política, mas não encerra a crise provocada pela escolha de Luiz Pitiman

A política não costuma deixar espaços vazios. Quando um partido perde uma posição importante em uma aliança, a compensação normalmente aparece em outra parte da chapa. É exatamente isso que parece estar acontecendo entre o Avante e o PSD no Distrito Federal.

Depois de perder a disputa pela vaga de vice-governador na chapa de José Roberto Arruda, o Avante deve ficar com a candidatura ao Senado. O nome mais cotado é o de Marley Mendonça, vice-presidente regional da legenda.

Não se trata apenas do lançamento de mais uma candidatura. A possível indicação de Marley funciona como uma compensação política para impedir que o descontentamento do Avante termine em rompimento.

A escolha de Pitiman abriu a crise

O Avante esperava ocupar a vice de Arruda com Jorge Argello, o Jorginho. Entretanto, a escolha de Luiz Pitiman, do PSD, fortaleceu o partido de Arruda dentro da própria chapa e reduziu o espaço destinado ao aliado.

A decisão foi recebida como um rebaixamento político pelas lideranças do Avante. Afinal, partido que participa de uma aliança não quer apenas ajudar na eleição. Também precisa ocupar posições que garantam visibilidade, poder de decisão e participação em um eventual governo.

Foi nesse ponto que a relação quase se rompeu.

Gim Argello decidiu preservar a palavra

Mesmo contrariado, o presidente do Avante-DF, Gim Argello, decidiu manter o compromisso firmado com Arruda. Aos aliados, resumiu sua posição em uma frase:

“Homem tem que ter uma palavra só.”

A declaração mostra que Gim está tratando o acordo político como um compromisso pessoal. Mas também revela uma tentativa de evitar que o partido saia da aliança sem nenhuma compensação depois de todo o investimento realizado na construção desse projeto.

Na prática, Gim preserva a palavra, mas cobra espaço.

Marley Mendonça surge como solução política

A candidatura de Marley Mendonça ao Senado seria a saída encontrada para reorganizar a aliança. O Avante perde a vice, mas conquista uma posição de destaque na chapa majoritária.

Para Marley, a indicação oferece projeção eleitoral e fortalece seu nome dentro do partido. Para o Avante, garante presença na propaganda, participação nas decisões da campanha e maior poder de negociação. Para Arruda, representa uma forma de conter a crise e impedir que o aliado abandone o projeto.

É uma solução conveniente para todos, mas ainda depende da capacidade das lideranças de reconstruírem a confiança perdida.

Jorginho pode romper individualmente

Se Gim Argello decidiu permanecer com Arruda, Jorge Argello pode seguir outro caminho. Jorginho, que era cotado para vice, avalia uma aproximação com Leandro Grass por considerar seu projeto mais ligado às pautas sociais e menos comprometido com determinados grupos econômicos.

Esse movimento produziria uma divisão curiosa: o comando formal do Avante permaneceria com Arruda, enquanto uma de suas principais lideranças caminharia em outra direção.

Isso não significaria necessariamente uma ruptura institucional do partido, mas mostraria que a crise deixou feridas abertas.

O Senado virou a moeda da acomodação

A possível candidatura de Marley Mendonça não apaga o episódio da vice. Ela funciona como uma acomodação política destinada a manter a aliança de pé.

Arruda preserva Pitiman como vice. Gim mantém a palavra e continua no projeto. Marley ganha espaço na majoritária. Jorginho, por sua vez, conserva liberdade para construir um caminho próprio.

O acordo pode resolver a composição eleitoral, mas não elimina a divergência política. No tabuleiro do Distrito Federal, o Avante continua ao lado de Arruda, porém já não parece caminhar com a mesma unidade de antes.

A vaga ao Senado, portanto, vale mais do que uma candidatura. Ela representa o preço político necessário para evitar que a aliança entre PSD e Avante desmorone antes mesmo do início oficial da campanha.

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