Governadora se fortalece no primeiro turno, amplia o voto espontâneo e começa a se descolar de Arruda. Ex-governador, porém, mantém um eleitorado resistente e continua competitivo em eventual segundo turno
A nova pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política mostra uma mudança importante no cenário eleitoral do Distrito Federal. Celina Leão aparece com 32,4% das intenções de voto, enquanto José Roberto Arruda registra 24%. A diferença entre os dois chegou a 8,4 pontos percentuais, acima da margem de erro de 3,3 pontos.
Na prática, Celina deixou de aparecer apenas numericamente à frente e passou a liderar de maneira mais consistente no primeiro turno. Ainda não é uma vantagem definitiva, mas já representa um movimento de descolamento em relação ao principal adversário.
A governadora conseguiu transformar a exposição natural do cargo em crescimento eleitoral. Ela avançou em comparação com a rodada anterior e começa a consolidar a condição de favorita. Arruda também cresceu, mas em ritmo menor.
Celina começa a ocupar o espaço da continuidade
Toda eleição com um governo competitivo passa, em algum momento, por uma discussão sobre continuidade ou mudança. Celina Leão trabalha para transformar sua candidatura na representação da continuidade administrativa, mesmo que precise construir uma identidade própria e não apenas depender do grupo político ao qual pertence.
Ela tem a estrutura do governo, presença nas regiões administrativas, apoio de prefeitos comunitários, administradores regionais, parlamentares e lideranças locais. Esses elementos não garantem uma vitória, mas oferecem capilaridade e capacidade de comunicação.
O crescimento de Celina no levantamento espontâneo reforça essa percepção. Quando o eleitor não recebe uma lista de candidatos, ela aparece com 17,2%, quase o dobro dos 8,9% registrados por Arruda.
Esse é um dado especialmente relevante. A pesquisa estimulada mede a preferência diante das opções apresentadas. A espontânea revela quais nomes já estão mais presentes na cabeça do eleitor. Nesse aspecto, Celina demonstra maior lembrança e começa a criar uma distância importante.
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Arruda continua vivo e competitivo
Seria um erro interpretar os números como uma retirada de Arruda da disputa. Com 24% no primeiro turno, o ex-governador mantém um eleitorado expressivo, fiel e bastante resistente.
Arruda carrega um patrimônio político construído ao longo de décadas. É conhecido em praticamente todas as regiões do Distrito Federal e conserva uma ligação forte com parcelas do eleitorado que associam seu nome à realização de obras e à capacidade administrativa.
Além disso, demonstrou nas convenções que ainda possui poder de articulação. A presença de lideranças nacionais e locais em torno de seu projeto mostra que ele continua sendo um ator central da política brasiliense.
A questão para Arruda não é apenas manter seu eleitorado histórico. Ele precisa ampliar sua votação para além desse núcleo. Isso dependerá da capacidade de reduzir sua rejeição, atrair os indecisos e apresentar uma candidatura que dialogue também com o futuro, e não apenas com a memória de seus governos.
Segundo turno revela uma disputa apertada
Quando o cenário coloca Celina e Arruda frente a frente, a governadora aparece com 43,6%, contra 40,1% do ex-governador. A diferença é de 3,5 pontos percentuais e configura empate técnico dentro da margem de erro.
Portanto, existe uma fotografia diferente em cada etapa da eleição. No primeiro turno, Celina começa a se descolar. No segundo, Arruda recupera competitividade e mantém o confronto aberto.
Isso acontece porque parte dos eleitores dos demais candidatos migra para Arruda quando precisa escolher entre os dois principais nomes. O ex-governador continua funcionando como o principal polo de oposição ao grupo que atualmente comanda o Palácio do Buriti.
Celina lidera, mas ainda não conseguiu transformar essa liderança em uma vantagem confortável numa disputa direta.
Leandro Grass lidera a busca por uma terceira via
Leandro Grass aparece em terceiro lugar, com 9,8%. Ele está distante dos dois primeiros, mas lidera o bloco de candidatos que tenta romper a polarização entre Celina e Arruda.
O problema é que esse campo permanece fragmentado. Ricardo Cappelli registra 4,3%, Paula Belmonte tem 3,5%, Samara Mineiro aparece com 0,9%, Kiko Caputo com 0,8% e Robson Raimundo com 0,5%.
Grass possui espaço para crescer, principalmente entre os eleitores que rejeitam tanto o governo quanto a volta de Arruda. Para isso, precisará ultrapassar as fronteiras do eleitorado mais identificado com a esquerda e apresentar uma candidatura capaz de conversar com o centro político.
Nos cenários de segundo turno, entretanto, ele ainda enfrenta dificuldades. Celina venceria Grass por 53,8% a 28,6%, enquanto Arruda teria 50,9%, contra 28,8% do candidato progressista.
Isso mostra que Grass já possui alguma presença eleitoral, mas ainda não é percebido pela maioria como uma alternativa com força suficiente para disputar o comando do GDF.
A rejeição será decisiva
Celina e Arruda também lideram a rejeição. Arruda aparece com 26,6%, enquanto Celina registra 26,2%. Trata-se praticamente de um empate.
Esse dado ajuda a explicar por que o eventual segundo turno entre os dois permanece tão apertado. Ambos possuem eleitorados consolidados, mas também enfrentam resistências importantes.
A campanha será decidida não apenas por quem conseguir conquistar mais simpatizantes, mas também por quem conseguir reduzir a própria rejeição. Num confronto polarizado, o voto contrário a determinado candidato pode ter tanto peso quanto o voto de apoio.
Celina precisa evitar que sua candidatura seja transformada apenas em um julgamento do atual governo. Arruda, por sua vez, terá de enfrentar novamente os questionamentos sobre sua trajetória política e jurídica.
O eleitor ainda não entrou completamente na eleição
Outro número que merece atenção é o volume de eleitores sem uma escolha definida. Na pesquisa estimulada, 12,2% afirmam que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 11,5% não sabem responder.
Isso representa quase um quarto do eleitorado pesquisado.
Na consulta espontânea, o cenário é ainda mais aberto: 49% não souberam citar nenhum candidato. Portanto, apesar da movimentação partidária, das convenções e do crescimento de Celina, uma parcela enorme da população ainda não começou a acompanhar efetivamente a disputa.
É justamente nesse grupo que estará a verdadeira batalha eleitoral. Celina precisa aproveitar sua posição de liderança antes que a campanha se torne mais crítica. Arruda precisa acelerar enquanto ainda possui tempo para diminuir a diferença. Os demais candidatos precisam romper a polarização antes que ela se torne irreversível.
Celina é favorita, mas ainda não pode comemorar
A leitura mais equilibrada da pesquisa é clara: Celina Leão é hoje a favorita na disputa pelo Palácio do Buriti. Lidera no primeiro turno, tem maior votação espontânea e apresentou um crescimento superior ao de Arruda.
Mas favoritismo não significa eleição resolvida.
Arruda continua forte, possui um eleitorado fiel e aparece tecnicamente empatado com Celina no segundo turno. Leandro Grass tenta ocupar uma terceira faixa, enquanto os demais nomes ainda lutam para conquistar visibilidade.
A eleição do Distrito Federal começa a ganhar um desenho mais definido: Celina na dianteira, Arruda como principal adversário e um conjunto de candidaturas tentando impedir que a polarização se consolide.
Celina avançou e começou a se descolar. Agora terá de provar que consegue transformar vantagem em vitória. Arruda, por outro lado, terá de mostrar que sua força política também pode produzir crescimento eleitoral. A eleição está tomando forma, mas ainda há muito jogo pela