A Faixa Que Pode Salvar (Ou Afundar) Partidos em 2026
Enquanto os partidos concentram esforços na disputa por puxadores de 25 mil ou 30 mil votos, a verdadeira engrenagem do sistema proporcional no Distrito Federal está em outro ponto.
Ela está na faixa entre 4.000 e 6.999 votos.
Em 2022, os candidatos nesse intervalo somaram 141.561 votos.
Esse número representa mais de dois quocientes distritais completos em uma simulação de 70 mil votos. Não se trata de detalhe estatístico. Trata-se de estrutura eleitoral.
Quem compõe esse bloco (2022 – DF)
| Candidato | Partido (2022) | Votos |
|---|---|---|
| Renato Santana | PP | 5.586 |
| Major Michello | Republicanos | 5.944 |
| Maria Abadia | União | 6.006 |
| Leandro Hungria | Patriota | 6.041 |
| Alexandre Yanez | Agir | 6.356 |
| Comandante Genilson | PL | 6.489 |
| Hamilton Tatu | União | 6.496 |
| Milena Câmara | PP | 6.518 |
| Mônia Andrade | PP | 6.613 |
| Jabá Lusimar Arruda | PMN | 6.632 |
| Oséias Ribeiro | Agir | 6.642 |
| Thaynara | PSB | 6.717 |
| Claudeci Luart | Cidadania | 6.821 |
| Gustavo Aires | MDB | 5.207 |
| Paco Britto | Avante | 5.444 |
| Silene da Saúde | Avante | 4.570 |
| Alex Carreiro | União | 4.512 |
| Alex Galvão | Podemos | 4.463 |
| Fabiano Trompetista | PT | 4.460 |
| Ana Maria | PP | 4.444 |
| Dirsomar | MDB | 4.359 |
| Cirene Inácio | MDB | 4.344 |
| Marcelo Trator | Republicanos | 4.327 |
| Ravan Leão | Agir | 4.254 |
| Miguel da 26 | PSDB | 4.252 |
| Luzia de Paula | PSB | 4.064 |
O mito do puxador
Partidos costumam destacar seus grandes nomes como símbolo de força eleitoral. No entanto, no sistema proporcional, um puxador isolado não fecha nominata.
Ele depende de densidade.
Sem o bloco intermediário, não há soma consistente para garantir segunda vaga ou disputar sobras com competitividade.
Partido grande sem miolo estruturado se torna refém de narrativa, não de matemática
A matemática do sistema proporcional
Considerando uma simulação de quociente de 70 mil votos:
- 141.561 votos representam mais de dois quocientes completos.
- Se organizados estrategicamente dentro de uma única legenda, podem sustentar duas cadeiras sólidas.
- Com crescimento parcial do grupo, a disputa pela terceira vaga torna-se viável.
Simulação 1 – Se metade dobrar votação
Se apenas metade desses candidatos dobrar seus votos, o bloco ultrapassa com facilidade 200 mil votos. Em um cenário assim, uma nominata estruturada poderia disputar até três cadeiras reais.
Não se trata de retórica, mas de aritmética eleitoral.
Simulação 2 – Se o grupo se dispersar
Caso esses nomes se espalhem entre partidos saturados, legendas frágeis ou projetos personalistas, o resultado tende a ser fragmentação.
No sistema proporcional, fragmentação significa perda de cadeira para quem organizou melhor a base intermediária
O valor estratégico do miolo
Os candidatos dessa faixa já demonstraram possuir voto real, base territorial ou nicho consolidado. Não partem do zero.
Por isso são ativos eleitorais relevantes.
Nos bastidores, são nomes disputados porque garantem densidade à nominata.
Sem densidade, não há viabilidade
Conclusão
O puxador chama atenção.
O miolo elege.
Quem montar nominata pensando apenas em estrela dependerá da sobra. Quem estruturar a base intermediária constrói cadeira antes mesmo do início oficial da campanha.
No Distrito Federal, partido é sigla.
Mas nominata é matemática.
E matemática não respeita discurso. Respeita soma.