Como Fica A Eleição de Distrital com 70 mil de Quociente?

A SIMULAÇÃO QUE MEXEU COM O DF

Agora com quociente de 70 mil votos, usando a votação real de 2022 como base

A simulação publicada hoje considera um quociente eleitoral de 70 mil votos, utilizando como referência a votação oficial da eleição de 2022 para deputado distrital no Distrito Federal.

*O objetivo não é refazer o resultado da eleição, mas projetar cenários para compreensão política. Trabalhamos com os números reais da última disputa e aplicamos um novo quociente para testar como ficaria a configuração das vagas.

* Correções importantes

– O PMN atingiu o quociente e fez deputado direto, sem depender de sobra.
– Na votação nominal, Joaquim Roriz Neto teve mais votos que Roosevelt Vilela, embora a diferença tenha sido pequena.
– O cenário mostra como variações mínimas alteram completamente quem entra direto e quem depende da sobra.

Por que 70 mil votos?

A escolha do quociente de 70 mil votos foi técnica: é um número redondo que permite visualizar como a exigência maior de votação impactaria diretamente as nominatas e a estratégia partidária.

Com 70 mil votos como linha de corte:

  • Alguns partidos garantiriam vaga direta com mais folga.
  • Outros dependeriam fortemente da sobra.
  • Candidatos bem votados poderiam ficar fora dependendo da composição da legenda.

É exatamente esse tipo de cenário que movimenta bastidores e provoca debates internos nas siglas.

Transparência e responsabilidade

A simulação foi construída com base nos dados reais de 2022. Eventuais ajustes fazem parte do processo de checagem e revisão — e são feitos com total transparência.

Política proporcional é matemática.
Mas também é estratégia.

E quando se altera o quociente, altera-se o jogo.

Acompanhe abaixo a simulação completa considerando o quociente de 70 mil votos e a votação oficial da eleição passada.

Se quiser, posso agora ajustar para uma versão mais didática ou mais provocativa — dependendo do tom que você quer imprimir no portal.

Nota de transparência: aqui eu estou fazendo a simulação didática usando a regra mais comum de distribuição das sobras (maiores médias / método D’Hondt), sem aplicar travas como desempenho mínimo de candidato (10% do QE) ou outras regras específicas que podem existir na legislação e mudar o detalhe fino. A ideia é a pessoa entender o mecanismo e ver o efeito político do QE em 70 mil.

 Se o quociente eleitoral for 70 mil, como ficaria a CLDF repetindo os votos de 2022?

Se em 2026 o quociente eleitoral (QE) para deputado distrital no DF ficar em 70.000 votos e os partidos repetirem exatamente a votação de 2022, o desenho das cadeiras mudaria na matemática — e isso afeta diretamente estratégia de nominata, federações e “troca-troca” na janela.

Nesta simulação, usamos os votos por legenda que você listou (somando 1.668.408 votos) e o total de 24 cadeiras da CLDF.

1) O que é quociente eleitoral, na prática?

Pense no QE como o “preço” de uma cadeira.

  • Se o QE é 70.000, então:
    • a cada 70 mil votos, o partido “compra” 1 cadeira direta;
    • a cada 140 mil, “compra” 2 diretas;
    • a cada 210 mil, “compra” 3 diretas, e assim por diante.

O que sobra (os votos que passam do múltiplo de 70 mil) não some: vira munição para disputar as cadeiras restantes, chamadas de sobras.

2) Primeira etapa: quem faz cadeira direta (QE = 70 mil)

Aqui é conta simples: votos do partido ÷ 70.000 (considerando só a parte inteira).

✅ Quadro de vagas diretas

Partido Votos (2022) Diretas (QE=70k)
PL 221.654 3
MDB 155.718 2
PT 137.563 1
PSOL 114.051 1
AGIR 110.392 1
PP 104.862 1
PSD 97.242 1
UNIÃO 97.097 1
REPUBLICANOS 95.236 1
PMN 75.661 1
PSB 74.974 1

📌 Total de cadeiras diretas: 14
📌 Cadeiras que sobram para distribuir: 24 – 14 = 10

3) Quantos votos de sobra cada partido teve?

Agora vem o seu ponto principal: a sobra real em votos.

A conta é:

Sobra real = votos do partido – (vagas diretas × 70.000)

✅ Sobras reais (para quem fez direta)

Partido Diretas Votos usados Sobra real (votos)
PL 3 210.000 11.654
MDB 2 140.000 15.718
PT 1 70.000 67.563
PSOL 1 70.000 44.051
AGIR 1 70.000 40.392
PP 1 70.000 34.862
PSD 1 70.000 27.242
UNIÃO 1 70.000 27.097
REPUBLICANOS 1 70.000 25.236
PMN 1 70.000 5.661
PSB 1 70.000 4.974

✅ Partidos que não fizeram direta (sobra = votos totais)

Esses entram na disputa das sobras com tudo o que fizeram, porque não “gastaram” 70 mil em cadeira direta:

  • AVANTE 56.851
  • CIDADANIA 43.132
  • PATRIOTA 41.417
  • PSC 36.277
  • PODEMOS 29.647
  • PSDB 25.728
  • PROS 25.705
  • PV 24.025
  • NOVO 18.995
  • PTB 18.863
  • PDT 17.625
  • PRTB 14.795
  • PMB 5.808
  • SD 4.054
  • REDE 3.988
  • PC do B 3.918
  • DC 3.368
  • UP 1.190
  • PSTU 342
  • PCO 209

4) Segunda etapa: como as 10 cadeiras das sobras são distribuídas?

Aqui a pessoa precisa entender o “pulo do gato”.

No método das maiores médias, cada partido disputa a próxima cadeira com uma média:

Média do partido = Votos do partido ÷ (cadeiras que ele já tem + 1)

  • Se o partido já tem 3 cadeiras, ele disputa a próxima com: votos ÷ 4
  • Se já tem 1 cadeira, disputa com: votos ÷ 2
  • Se tem 0, disputa com: votos ÷ 1 (é o próprio total)

Cada vez que um partido ganha uma sobra, aumenta o divisor e a média dele cai, por isso, é um “leilão” cadeira por cadeira.

5) Quem levaria as 10 cadeiras das sobras (ordem da simulação)

Aplicando as maiores médias, as 10 cadeiras restantes iriam assim:

  1. PT (vira 2ª cadeira)
  2. PSOL (vira 2ª cadeira)
  3. AVANTE (ganha 1ª cadeira)
  4. PL (vira 4ª cadeira)
  5. AGIR (vira 2ª cadeira)
  6. PP (vira 2ª cadeira)
  7. MDB (vira 3ª cadeira)
  8. PSD (vira 2ª cadeira)
  9. UNIÃO (vira 2ª cadeira)
  10. REPUBLICANOS (vira 2ª cadeira)

6) Quadro final: diretas + sobras = total de cadeiras

✅ Resultado final projetado (QE=70k + maiores médias)

Partido Diretas Sobras Total
PL 3 1 4
MDB 2 1 3
PT 1 1 2
PSOL 1 1 2
AGIR 1 1 2
PP 1 1 2
PSD 1 1 2
UNIÃO 1 1 2
REPUBLICANOS 1 1 2
PMN 1 0 1
PSB 1 0 1
AVANTE 0 1 1

Total: 24 cadeiras

5 curiosidades dessa simulação

1) O campeão de sobra real é o PT (67.563).
É praticamente um “segundo quociente” sem ser quociente. Isso explica por que o partido costuma ficar muito forte na briga de sobras quando faz boa votação de legenda.
2) O PL é o maior em votos, mas tem pouca sobra bruta (11.654).
Ele “gasta” muito voto para garantir 3 diretas e fica com pouca gordura. Ainda assim, pelo tamanho total, acaba levando uma sobra e chega a 4 cadeiras.
3) AVANTE entra antes de muito partido maior em “sobra bruta”.
Por quê? Porque partido com 0 cadeira disputa com divisor 1 (votos/1). Em alguns momentos, isso é competitivo contra partidos que já estão dividindo por 2, 3 ou 4.
4) PMN e PSB passam no limite do quociente e ficam sem sobra.
Eles garantem 1 cadeira direta, mas as sobras deles (5.661 e 4.974) são pequenas para brigar por mais.
5) CIDADANIA tem 43.132 votos, mas ainda assim pode ficar fora no “leilão” das médias.
Mesmo tendo uma “sobra integral” grande, perde espaço quando as maiores médias dos partidos maiores (mesmo já eleitos) continuam acima na disputa das últimas cadeiras.
Moral da história
Se o quociente encostar em 70 mil, a eleição vira ainda mais um jogo de nominata forte + legenda competitiva.
E quem entra achando que “um puxador resolve” pode descobrir tarde demais que o sistema não perdoa: é matemática, não é discurso.

Fábio Campos cresce e a oposição ataca

Autor

Horas
Minutos
Segundos
Estamos ao vivo