Quociente, sobras e a matemática que define a CLDF (explicação didática)
Aviso importante: esta é uma explicação educativa, com valores aproximados e arredondados para facilitar o entendimento político do sistema proporcional. Não é a reprodução “linha por linha” da planilha técnica oficial do TSE.
A eleição para deputado distrital é proporcional. Isso significa que as vagas primeiro vão para os partidos/federações, e só depois são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro de cada legenda.
Em 2022, o quociente eleitoral (QE) ficou “na casa” de ~69 mil votos.
👉 Nenhum candidato alcançou isso sozinho, então a maioria entrou pela força da legenda e pela disputa das sobras.
1) O que é o quociente eleitoral (QE)
O QE é, em linguagem simples, o “tamanho” de uma vaga.
- Pense assim: quantos votos são necessários, em média, para “criar” 1 cadeira.
- Aqui, estamos trabalhando com QE ≈ 69.000 votos (aproximado).
2) Votação aproximada dos partidos em 2022 (Distrital/DF)
(valores arredondados para fins educativos)
| Partido/Federação | Votos (aprox.) |
| PL | ~238.000 |
| Federação PT/PCdoB/PV | ~210.000 |
| MDB | ~185.000 |
| PSOL/REDE | ~145.000 |
| PSD | ~140.000 |
| PP | ~125.000 |
| AGIR | ~115.000 |
| União Brasil | ~75.000 |
| Republicanos | ~72.000+ |
| Avante | ~62.000 |
| PSB | ~60.000 |
| Cidadania | ~60.000 |
| PMN | ~58.000 |
Esses números ajudam a entender quem largou na frente com vagas “diretas” (quociente partidário) e quem entrou na briga das sobras.
3) Primeiro passo: quociente partidário (vagas diretas)
Depois de definido o QE, calcula-se o quociente partidário (QP):
👉 QP = votos do partido ÷ QE
O QP indica quantas vagas a legenda ganha de cara (antes das sobras).
Deputados eleitos nas vagas diretas (por quociente partidário)
PL – 3 vagas diretas
- Daniel Donizet — 33.573
- Thiago Manzoni — 25.554
- Joaquim Roriz Neto — 21.057
Federação PT/PCdoB/PV – 2 vagas diretas
- Chico Vigilante — 43.854
- Gabriel Magno — 18.063
PSOL/REDE – 2 vagas diretas
- Fábio Félix — 51.792
- Max Maciel — 35.758
MDB – 2 vagas diretas
- Iolando — 20.757
- Hermeto — 20.332
PSD – 2 vagas diretas
- Robério Negreiros — 31.341
- Jorge Vianna — 30.640
Republicanos – 1 vaga direta
- Martins Machado — 31.993
União Brasil – 1 vaga direta
- Eduardo Pedrosa — 22.489
PP – 1 Vaga
- Daniel de Castro – 20.402
Como ler isso:
Mesmo quando um candidato tem muita votação, ele entra porque a legenda “gerou” vagas com a soma dos votos do partido/federação.
4) Segundo passo: as sobras (média)
Depois das vagas diretas, ainda sobram cadeiras. Aí entra a fase mais estratégica:
- As legendas passam a disputar as cadeiras remanescentes pela média.
- Em termos simples: ganha vaga quem tiver melhor “média” de votos por vaga disputada.
Deputados eleitos pelo critério das sobras (média)
PL – 4ª vaga
- Roosevelt Vilela— 20.223
Federação PT/PCdoB/PV – 3ª vaga
- Ricardo Vale — 17.077
MDB – 3ª vaga
- Wellington Luiz — 16.933
AGIR – 2ª vaga
- Doutora Jane — 19.006
PP – 2ª vaga
- Pepa — 15.393
PSB
- Dayse Amarilio — 11.012
PMN
- Rogério Morro da Cruz — 18.207
Avante
- João Cardoso — 17.579
Cidadania
- Paula Belmonte — 17.208
Como ler isso:
Aqui você enxerga o coração da eleição proporcional: muitos entram nas sobras, e isso pode levar para a CLDF gente com votação menor do que a de outros candidatos que ficaram de fora — porque o partido “chegou melhor” na média.
5) O que isso ensina para quem está montando nominata (2026)
- Ninguém se elege sozinho no proporcional.
- Partido/federação é o “motor” que cria as vagas.
- Sobras decidem várias cadeiras — e podem mudar tudo.
- Escolher legenda é decisão matemática, não só política.
Moral da história:
Na prática, o caminho é este:
✅ primeiro o quociente partidário (vagas diretas)
✅ depois a média nas sobras (as cadeiras remanescentes)
É exatamente por isso que, em 2026, montar nominata forte e fazer conta vai ser tão importante quanto ter um nome conhecido.
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