O jogo da audiência na política
Quando se fala no jogo da audiência e da atenção na política do Distrito Federal, dois nomes aparecem no centro da conversa: Ibaneis Rocha e Celina Leão.
Mas, hoje, o nome que mais gera curiosidade, especulação e bastidor é o do ex-governador Ibaneis Rocha.
E não é por acaso.
Ibaneis virou aquele personagem político que ninguém consegue ignorar. Quem gosta, acompanha. Quem não gosta, também acompanha. Quem torce contra, fala dele o tempo todo. E, no fim das contas, isso também é política.
A eleição para o Senado virou uma incógnita
Nos bastidores, muitos aliados e adversários dizem que a eleição para o Senado será dificílima para Ibaneis.
O argumento é simples: ele teria pela frente nomes fortes, como Bia Kicis, Erika Kokay, Leila do Vôlei, Reguffe, Sebastião Coelho e outros personagens que aparecem bem ou têm recall eleitoral.
A disputa, de fato, não é simples.
Senado não é eleição para amador. São duas vagas, nomes conhecidos, narrativas pesadas e um eleitorado que costuma decidir muita coisa na reta final.
Mas aí vem a pergunta: será mesmo que Ibaneis está fora do jogo?
A narrativa da delação
Toda semana aparece o mesmo “tic-tac, tic-tac” nos bastidores.
Dizem que uma delação vai alcançar Ibaneis. Dizem que uma operação vai explodir. Dizem que o ex-governador não resistiria ao primeiro impacto.
Muita gente apostou que a delação de Vaccaro derrubaria Ibaneis. Só que a delação não foi aceita.
Depois, surgiu a expectativa em torno de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Mas há um detalhe importante nessa história: o ministro André Mendonça, que conduz o caso, tem exigido provas robustas, não apenas citações soltas de nomes.
E política, quando mistura bastidor, desejo e investigação, vira um terreno perigoso para quem quer fazer análise séria.
Não dá para afirmar que nada acontecerá. Também não dá para repetir, toda semana, que Ibaneis está politicamente acabado.
O problema da análise política preguiçosa
O maior problema da política hoje é a falta de interpretação analítica.
Você escreve uma coisa, explica o cenário, mostra os dois lados, mas muita gente só lê aquilo que quer ler.
Se você diz que Ibaneis ainda está vivo politicamente, alguém entende que você está defendendo Ibaneis.
Se você diz que existem riscos jurídicos, alguém entende que você está cravando uma queda.
Mas análise política não é torcida.
Cenário político se analisa dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, segundo a segundo.
O estilo Ibaneis de fazer política
Ibaneis tem uma característica curiosa.
No WhatsApp, dizem que ele é econômico. Econômico até demais. Quem conversa com ele sabe: muitas vezes, a resposta vem em forma de “ok” ou um simples joinha👍
Mas isso também diz algo sobre o estilo dele.
Ibaneis não é o político do excesso de fala. Ele não costuma gastar energia explicando cada movimento. Ele trabalha mais no silêncio, articula nos bastidores e aparece quando acha necessário.
Enquanto muita gente anuncia terremoto, ele segue fazendo agenda, recebendo gente, movimentando o escritório político e mantendo pontes abertas.
E aqui está um ponto que pouca gente admite em público: Ibaneis continua sendo um dos nomes mais procurados do meio político do DF.
O homem que quebrou a banca em 2018
É bom lembrar: em 2018, muita gente dizia que Ibaneis nunca seria governador.
Eu mesmo, Odir Ribeiro, disse que ele não seria governador nunca.
E ele foi lá e venceu.
Quebrou a banca.
Por isso, quando hoje alguém diz que Ibaneis nunca será senador, é bom ter um pouco de cuidado.
A política adora humilhar certezas absolutas.
E Ibaneis, pelo histórico, parece gostar especialmente quando alguém coloca a palavra “nunca” na frente dele.
Subestimar Ibaneis pode ser erro caro
Muita gente no meio político trabalha hoje com a ideia de que Ibaneis está fragilizado, isolado ou limitado pelas narrativas jurídicas.
Mas os números dele nas pesquisas, olhando o conjunto, não são desprezíveis.
Pelo contrário: em vários cenários, Ibaneis aparece competitivo.
E aí entra o ponto central: na hora do “vamos ver”, na reta final, com estrutura, memória administrativa, recall e capacidade de articulação, será que Ibaneis não pode levar vantagem?
Essa é a pergunta que incomoda muita gente.
Entre o tiroteio e a sobrevivência
A política do DF vive um tiroteio permanente.
Tem delação, especulação, bastidor, pesquisa, fofoca, operação, nota plantada e narrativa circulando por todos os lados.
Mas, no meio disso tudo, Ibaneis continua fazendo política.
Silenciosamente, mas fazendo.
E talvez seja exatamente aí que more o perigo para quem acha que ele está fora do jogo.
Porque enquanto uns estão ocupados decretando o fim, ele está ocupado tentando construir o próximo capítulo.
Se vencer, entra para outro patamar
Se Ibaneis Rocha conseguir vencer uma eleição para o Senado no meio desse turbilhão, enfrentando desgaste, narrativas jurídicas, adversários fortes e descrença de parte do meio político, será impossível negar o tamanho do feito.
Nesse caso, ele entraria em outro patamar da história política do Distrito Federal.
Não apenas como ex-governador.
Mas como um dos políticos com maior capacidade de sobrevivência, reconstrução e retorno da política local.
A palavra que move Ibaneis
No fim das contas, talvez a palavra mais perigosa para dizer perto de Ibaneis Rocha seja “nunca”.
Nunca será governador.
Nunca voltará ao jogo.
Nunca será senador.
A história já mostrou que ele gosta de desafiar esse tipo de sentença.
E agora, mais uma vez, o meio político parece repetir o mesmo erro: subestimar um animal político que já provou saber ressurgir quando muita gente achava que ele estava acabado.
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Moral da história
Ibaneis Rocha pode enfrentar dificuldades? Pode.
Pode ser atingido por fatos novos? Pode.
Pode perder a eleição? Também pode.
Mas decretar que ele está morto politicamente é outra história.
Na política, principalmente no Distrito Federal, quem confunde desejo com análise costuma errar feio.
E Ibaneis, gostem ou não, continua sendo um personagem central do jogo.
Quem tem olhos, leia.
Quem tem ouvidos, ouça.
Quem não entendeu, leia tudo de novo.