UM PASSARINHO ME CONTOU
1 – O jantar que virou bastidor
O que era para ser a comemoração dos 45 anos do empresário Eliseu Kadesh virou ponto de articulação política. Entre taças e cumprimentos, o assunto dominante foi a possível chapa Arruda–Izalci. Teve gente tratando como composição quase encaminhada. O clima era social, mas o subtexto era eleitoral. Empresário que reúne lideranças raramente fala só de aniversário. E o Buriti sempre aparece no cardápio.
2 – Conversa reservada, aposta alta
Nos cantos mais discretos, a leitura era pragmática: se Arruda continuar inelegível, o vice vira protagonista. Ninguém entra em chapa majoritária sem calcular cenário jurídico. Política é probabilidade. E probabilidade também ganha eleição. Quem aceita a vice já sabe o tamanho do risco — e da oportunidade.
3 – Plano A, Plano B… e Plano Izalci
Se Arruda disputar, soma estrutura e recall. Se não puder, o caminho se abre. Nos bastidores, a aposta é justamente nessa variável. Política é xadrez jogado com prazo judicial. E quem observa em silêncio, muitas vezes, está um movimento à frente.
4 – E o PL?
A pergunta ecoou: há espaço real para Izalci no PL? Com o partido priorizando o Senado e projetos próprios, o espaço parece estreito. Quando a casa não acomoda, o político procura endereço novo. Fidelidade partidária costuma durar até o próximo cálculo.
5 – PSD no radar
O PSD surge como alternativa com estrutura e menos disputa interna. Fundo robusto e ambiente mais estável seduzem qualquer projeto majoritário. Migração, em política, raramente é emoção. É sobrevivência eleitoral.
6 – Moral da história
O jantar era social, mas o ambiente era eleitoral. Se a chapa sair, muda o eixo do Buriti. Se Arruda ficar fora, muda o protagonista. Brasília está em fase de montagem de tabuleiro. E quem dorme, acorda fora da foto.
7 – Nominata em risco?
Candidatos do PL-DF relataram à coluna que a legenda estaria negligenciando a nominata proporcional. A crítica é que o foco exclusivo no Senado estaria deixando a base descoberta. Proporcional se constrói em grupo. Ignorar a nominata pode custar caro.
8 – Clima de celebridade
Há relatos de distanciamento entre liderança federal e candidatos locais. Dificuldade de agenda e interlocução geram desconforto. O sentimento é de desconexão com a política do DF. E base desmotivada raramente entrega resultado.
9 – A “estrangeira” e o recado
O apelido nunca foi gratuito. A crítica é de pouco enraizamento local. Para quem quer disputar pelo PL-DF na prateleira de cima, a orientação é simples: bom relacionamento com o comando nacional é essencial. No fim, as decisões passam por lá.
10 – Conta que não fecha
Se a nominata continuar desorganizada, o cenário pode ser modesto: um distrital e um federal, sendo otimista. Eleição proporcional exige time. Estrelismo afunda grupo inteiro. Ainda há tempo para corrigir rota.
11 – Desembargador é título vitalício
Parem de chamar de “ex-desembargador” o nobre Sebastião Coelho. Uma vez desembargador, sempre desembargador. O cargo pode ser deixado, o título permanece. Precisão institucional também é respeito.
12 – Sempre pedindo vista
Sebastião Coelho ainda avalia qual cadeira disputar: Senado, governo ou Câmara. Mantém suspense estratégico. Observa, analisa e não fecha questão. Na política, como no tribunal, pede vista.
13 – A volta por cima da nominata
Sem Erika Kokay na disputa federal, Agnelo Queiroz surge como cabeça de nominata do PT. Ausências redesenham protagonismos. Política não tolera vácuo. O tabuleiro se reorganiza rápido.
14 – Mar revolto
Com cercos jurídicos se fechando, muitos evitam colocar CPF em aventuras majoritárias. O risco virou variável decisiva. Hoje, o mar não está para peixe.
15 – Sonho antigo
Eliseu Kadesh sempre demonstrou paixão pela política. O sonho de disputar o Senado ou o Buriti nunca saiu do horizonte. Grandes projetos começam como conversa de jantar.
16 – O poder do silêncio
O silêncio do chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, incomoda muita gente. Em tempos de bravata, silêncio estratégico vale ouro. Quem fala pouco costuma trabalhar muito. E, às vezes, o silêncio é mais eficiente que o barulho.
Quatro histórias da política do DF
17 – O assessor que se escondeu no banheiro
Um distrital marcou coletiva para anunciar “bomba política”. Esqueceu que a própria base não sabia da tal bomba. Quando jornalistas começaram a perguntar números e provas, ele fingiu receber ligação urgente e se trancou no banheiro do gabinete. A coletiva terminou sem anúncio. A bomba era só fumaça.
18 – O microfone aberto
Num evento solene, um político criticava a oposição com voz firme. Esqueceu que o microfone da mesa continuava ligado no intervalo. A plateia ouviu quando ele perguntou ao assessor: “Qual era mesmo o nome do projeto que eu estava defendendo?” O vídeo viralizou antes da sobremesa.
19 – O carro zero misterioso
Um pré-candidato apareceu de carro novo em plena crise partidária. Disse que era fruto de “trabalho duro”. O problema é que, dois dias depois, a namorada apareceu dirigindo o mesmo carro, mas em outra cidade. A agenda pública ficou suspensa por “motivos estratégicos”.
20 – mala pesada
Um influente personagem da política viveu um romance secreto com uma figurona. Ela Gravou encontros por “segurança emocional”. Certa noite, ela roubou a mala pesada que mal conseguia levantar. Ele não chamou polícia. Ele não contou para esposa. O caso morreu no silêncio. Em Brasília, às vezes, o segredo pesa mais que a mala.
PENSAMENTO DO DIA
Na política, quem fala demais se compromete.
Quem aparece demais se desgasta.
Quem aposta sozinho afunda a nominata.
E quem aprende a jogar no silêncio costuma sair na foto final.
Em Brasília, o poder não é de quem grita.
É de quem calcula.