O Fábio, o 26 e o Arcanjo que não era

CRÔNICAS DA POLÍTICA

O Fábio, o 26 e o Arcanjo que não era

Na Roma antiga, existiu um Fábio.

Fábio Máximo, o estrategista paciente.
Chamavam-no de “O Cunctator” — aquele que sabe esperar.

Foi pressionado, sabotado, questionado por aliados que achavam que sabiam mais do que ele. Alguns generais queriam glória imediata. Ele queria estratégia.

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Dois mil anos depois, a história se repete.

Outro Fábio.

Sonhador.
Construtor.
Homem de bastidor.

Estava a se Daguiar nas boas intenções.

Ergueu quem estava caído.
Fortaleceu quem precisava de estrutura.
Abriu a casa, o projeto, o espaço.

E então surgiu o Arcanjo.

Miguel.
Nome forte.
Nome de espada.
Nome que carrega combate.

Durante três anos — quase 36 meses, quase 1.095 dias — o discurso era de lealdade.

Vídeos.
Declarações públicas.
Promessas registradas.

Até que o número apareceu.

26.

Vinte e seis.

26 de Setembro.

A data virou símbolo.
O calendário virou chamado.
O ego virou espada.

Surge o vídeo épico.
Trilha de arena.
Espada levantada.

O Arcanjo acreditou que 26 era sinal de destino.

Mas política não é apocalipse.

É matemática.
É estrutura.
É voto.

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O Miguel não era arcanjo coisa nenhuma.

Era apenas um figurante que acreditou que a espada cenográfica o transformaria em general.

Fábio, como o romano, percebeu algo que só os estrategistas entendem:

O maior risco não está no inimigo declarado.

Está no escudeiro impaciente.

O número 26 pode marcar um aniversário.
Pode marcar um endereço.
Pode marcar um sonho.

Mas não transforma ninguém em comandante.

No fim, a arena é cruel com quem confunde vídeo com liderança.

E a história sempre separa estrategistas de aspirantes.

Moral da história

Nem todo Miguel é Arcanjo.
Nem todo 26 de Setembro é destino.
E nem todo escudeiro está pronto para carregar a espada que recebe.

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