Uma maioria que não se vê representada
No Distrito Federal, 58% da população se autodeclara negra. Ainda assim, não há um único representante negro na Câmara Legislativa que trate com profundidade e responsabilidade das pautas ligadas a essa maioria. Não se trata de lacração ou slogan: é a realidade ignorada por grande parte do meio político.
Polarização que esvazia o debate
Infelizmente, em tempos de extremismo ideológico, falar sobre negritude virou sinônimo — para alguns — de ser “de esquerda” ou “petista”. Essa simplificação burra afasta o debate e desumaniza uma parcela significativa da população. Questões estruturais são tratadas como polêmica, quando deveriam ser política pública.
Mulheres negras: empreendedoras invisíveis
A maioria dos pequenos empreendimentos nas periferias tem o rosto de uma mulher negra. São elas que vendem cosméticos, roupas, comidas e artesanatos. São elas que, mesmo sustentando famílias, ainda têm extrema dificuldade de acesso a crédito, formalização e apoio real do Estado.
Mobilidade e acesso: desafios do cotidiano
A exclusão não é apenas econômica. A mobilidade urbana é um entrave diário para quem mora longe do centro e precisa trabalhar, estudar ou cuidar da família. Pouco se fala disso nas campanhas, menos ainda nos gabinetes.
Saúde da população negra: um exemplo concreto
A secretária Marcella Passamani apresentou um projeto internacionalmente reconhecido que trata da saúde da população negra. A proposta — selecionada e premiada — receberá 200 mil euros para investir, por dois anos, na formação de profissionais da saúde e na conscientização sobre doenças que atingem com mais intensidade a população negra, como a Doença Falciforme, Diabetes e Hipertensão.
É possível fazer sem lacrar
Esse é um exemplo de como políticas públicas podem ser criadas sem barulho, mas com método, ciência e foco no impacto real. Discutir questões raciais não precisa virar uma arena de militância vazia — pode (e deve) ser uma política de Estado com resultados concretos.
Reflexão necessária: quem está ouvindo?
A maior parte da população do DF é negra. Mas nas decisões, nos microfones e nas prioridades do poder, essa maioria continua invisível. É hora de parar de rotular e começar a escutar. Debater raça não é mimimi. É responsabilidade. É justiça. É política com P maiúsculo.