O raio-X do voto feminino no DF: a matemática que pode decidir 2026
203.727 votos femininos foram registrados em 2022. A forma como eles se distribuíram entre partidos e candidaturas ajuda a explicar quem ganhou musculatura — e quem ficou pelo caminho.
Nas eleições de 2022 para deputado distrital no Distrito Federal, todas as candidaturas femininas somadas alcançaram 203.727 votos. O total de votos válidos foi de 1.670.475.
Isso significa que o voto feminino representou 12,2% do universo de votos válidos do DF.
Em termos absolutos, pode parecer “apenas um bloco”. No sistema proporcional, é uma variável estrutural: quando bem encaixado, decide cadeira; quando mal distribuído, vira desperdício eleitoral.
A lógica fria do sistema proporcional
O quociente eleitoral no DF costuma girar em torno de 70 mil votos. Pela leitura técnica:
- 203.727 votos equivalem a quase três quocientes eleitorais.
- Esse volume pode influenciar diretamente até duas cadeiras, dependendo da distribuição.
- Em nominatas competitivas, mulheres na faixa de 9 mil a 12 mil votos entram na zona decisiva das sobras.
Na prática: não vence apenas quem tem “nome forte”. Vence quem soma melhor. E o voto feminino, em 2022, mostrou uma característica central: ele foi concentrado no topo.
As 15 mulheres mais votadas do DF em 2022
| Posição | Nome | Partido/Federação | Votos |
|---|---|---|---|
| 1º | Jaqueline Silva | AGIR | 26.452 |
| 2º | Doutora Jane Klébia | AGIR | 19.006 |
| 3º | Paula Belmonte | PSDB/Cidadania (Federação) | 17.208 |
| 4º | Renata D’Aguiar | PMN | 11.473 |
| 5º | Dayse Amarilio | PSB | 11.012 |
| 6º | Suzele Veloso | PSB | 10.306 |
| 7º | Talita Victor | PSOL | 9.412 |
| 8º | Crícia Cantora de Pentecostes | PSDB/Cidadania (Federação) | 9.252 |
| 9º | Telma Rufino | MDB | 9.093 |
| 10º | Coletiva Somos Hellen Frida | PT (Federação PT/PV/PCdoB) | 7.626 |
| 11º | Sandra Faraj | União Brasil/PP (Federação) | 7.353 |
| 12º | Ilda Peliz | PL | 7.262 |
| 13º | Thaynara | PSB | 6.717 |
| 14º | Mônia Andrade | União Brasil/PP (Federação) | 6.613 |
| 15º | Silene da Saúde | Avante | 4.570 |
O que os números realmente mostram
- Apenas 1 mulher passou de 25 mil votos.
- Apenas 3 passaram de 15 mil votos.
- Somente 6 romperam 10 mil votos.
- Da 7ª colocada para baixo, a disputa entra numa faixa onde milhares de votos mudam sobras, não manchetes.
- A diferença entre a 1ª e a 15ª colocada é de 21.882 votos — um abismo para qualquer nominata.
Traduzindo: o voto feminino no DF não se espalhou de forma equilibrada. Ele se acumulou em poucas candidaturas e, por consequência, fortaleceu desproporcionalmente as siglas que abrigaram essas puxadoras.
A zona estratégica: 9 mil a 12 mil votos
Entre 9 mil e 12 mil votos está a faixa que mais interessa para 2026 — porque é onde a candidatura feminina deixa de ser “cota” e vira músculo matemático:
- Ajuda a bater quociente.
- Sustenta sobra.
- Protege a nominata contra buracos de base.
Em nominata competitiva, é o “miolo” que decide se o partido vira protagonista ou figurante.
O risco estrutural para 2026
Se os partidos repetirem a fórmula de 2022 — cumprir cota sem investimento real, lançar nomes sem estrutura mínima e tratar voto feminino como item burocrático — o efeito é matemático, não ideológico: perda de cadeira.
Em eleição proporcional, não existe voto irrelevante. Existe voto mal distribuído.
Os Nomes que Podem Salvar As Nominatas em 2026 e Ninguém Está Prestando Atenção
10 curiosidades técnicas sobre o voto feminino no DF
- O bloco feminino foi de 12,2% dos votos válidos do DF.
- Apenas 6 mulheres entraram na faixa “decisiva” de 10 mil+.
- A queda do topo é abrupta: depois do 6º lugar, nenhuma chegou a 10 mil.
- O PSB colocou 3 nomes no Top 15 — volume que conta na matemática.
- O AGIR dominou o topo com 1ª e 2ª colocadas.
- Há um “ponto de virada” estatístico no ranking: de 9 mil para baixo, o voto vira disputa de sobras.
- O Top 15 mistura partidos grandes e médios — sinal de que a nominata pode ser “salva” por uma candidatura bem posicionada.
- O voto feminino competitivo (10 mil+) foi minoria, mas foi o que puxou estrutura.
- A maioria das candidaturas femininas ficou em faixas que somam pouco para o quociente.
- Em sobra apertada, 3 mil votos podem mudar o dono de uma cadeira.
Moral da história
Em 2022, o voto feminino no DF não foi maioria — mas foi estrutural. Ele deu densidade para nominatas e influenciou o jogo das sobras.
Para 2026, a pergunta não é se o voto feminino importa. A pergunta é: qual partido vai tratar esse bloco como estratégia — e qual vai continuar tratando como formalidade?