Professor Fábio Sousa dispara: “A educação do DF perdeu espaço, prestígio e valorização”
Com 30 anos de rede pública, educador critica excesso de temporários, baixos salários e abandono de quem sustenta as escolas
A educação pública do Distrito Federal vive uma contradição difícil de esconder: cobra resultados cada vez maiores de professores e servidores, mas oferece cada vez menos valorização, estrutura e segurança profissional.
A avaliação é do professor Fábio Sousa, que participou do Podcast Rádio Corredor e falou sem rodeios sobre os problemas que se acumulam na rede pública do DF.
Com aproximadamente 30 anos de experiência na Secretaria de Educação, Fábio conhece a escola pública por dentro. Foi aluno, professor, gestor e diretor de uma instituição que chegou a atender cerca de 1.200 estudantes em tempo integral.
Na entrevista ao jornalista Odir Ribeiro, ele fez críticas diretas à condução da educação, à perda de prestígio da carreira docente e à dependência crescente de contratos temporários.
Professor deixou de ser prioridade
Fábio relembrou que, décadas atrás, o salário dos professores do Distrito Federal era mais competitivo em comparação com outras carreiras públicas.
Hoje, segundo ele, a realidade mudou completamente.
Enquanto categorias como policiais militares, bombeiros e policiais civis avançaram em remuneração, representação e reconhecimento, os professores ficaram para trás.
A crítica não é contra as outras categorias, mas contra a incapacidade política da educação de defender seus próprios profissionais.
Para Fábio, professor não pode continuar sendo tratado como alguém que trabalha apenas por amor, vocação ou missão.
Professor é profissional. Tem família, contas, responsabilidades e precisa de salário digno.
A rede está dependente de temporários?
Outro ponto polêmico levantado no podcast foi o crescimento da presença de professores temporários na rede pública.
Fábio reconhece que esses profissionais são essenciais para substituir servidores afastados e atender necessidades emergenciais.
O problema começa quando o temporário deixa de ser exceção e passa a sustentar parte importante do funcionamento das escolas.
Para ele, a estrutura permanente da educação deveria ser formada, prioritariamente, por professores concursados e com estabilidade para desenvolver projetos de longo prazo.
Enquanto isso, milhares de candidatos estudam, fazem concurso, são aprovados e permanecem esperando uma convocação que muitas vezes não chega.
Escola não funciona apenas com discurso
Durante a entrevista, Fábio também criticou o uso político da educação apenas em períodos eleitorais.
Segundo ele, todo candidato afirma que a educação é prioridade. O problema é que, depois das eleições, o setor volta a enfrentar falta de investimento, desvalorização profissional e dificuldades estruturais.
A escola pública não funciona apenas com frases bonitas, homenagens no Dia do Professor ou promessas de campanha.
Ela precisa de profissionais motivados, segurança, planejamento, estrutura e investimento constante.
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Quem vai querer ser professor?
Uma das grandes preocupações levantadas por Fábio é o futuro da profissão.
Sem valorização salarial, reconhecimento social e melhores condições de trabalho, a carreira corre o risco de deixar de atrair novos profissionais.
A pergunta é simples e incômoda: quem vai querer ser professor nos próximos anos?
Para Fábio, o prejuízo da falta de investimento não aparece apenas no presente. Ele será sentido pelas próximas gerações.
Quando um governo deixa de cuidar da educação, os efeitos aparecem depois no desemprego, na violência, na desigualdade e na falta de oportunidades.
A história de quem venceu pela educação
As críticas de Fábio Sousa não surgem apenas de teorias ou discursos políticos.
Filho de uma família simples, caçula de oito irmãos e vindo do interior do Piauí, ele chegou a Brasília ainda criança.
Trabalhou vendendo jornais pelas ruas do Guará e ajudou a família em uma banca de jornal. Estudava à noite e trabalhava durante o dia.
Mesmo com todas as dificuldades, ingressou na Universidade de Brasília e foi aprovado em concurso público para a Secretaria de Educação aos 19 anos.
Por isso, quando fala que a educação transforma vidas, Fábio não está repetindo um slogan.
Ele está contando a própria história.
A experiência de quem administrou escola pública
Fábio também comandou durante cerca de dez anos o Centro de Ensino Fundamental Polivalente.
Em sua gestão, a unidade se tornou uma das primeiras experiências de educação integral do Distrito Federal.
Cerca de 1.200 estudantes permaneciam na escola durante todo o dia, recebendo alimentação e participando de atividades educacionais.
O trabalho desenvolvido na unidade melhorou indicadores e levou Fábio a receber reconhecimento nacional na área de gestão escolar.
A experiência também o levou a participar de uma formação em gestão educacional em Nova York.
Educação sem representação perde força
Ao analisar a situação atual, Fábio apontou outro problema: a falta de força política da categoria.
Outras carreiras aprenderam a se organizar, escolher representantes e pressionar por seus direitos.
Os profissionais da educação, apesar de numerosos, ainda enfrentam dificuldades para transformar sua importância social em força política.
O resultado aparece no salário, na estrutura das escolas e nas condições de trabalho.
Enquanto todo político diz defender a educação, poucos aceitam enfrentar os problemas reais da categoria.
Fábio Sousa fala o que muita gente evita
No Podcast Rádio Corredor, Fábio Sousa não ficou apenas nas frases prontas.
Ele falou sobre salários, concursos públicos, contratos temporários, gestão escolar, participação das famílias, carreira docente e responsabilidade dos governos.
Também respondeu a perguntas sobre política e explicou por que decidiu participar mais ativamente do debate público do Distrito Federal.
A conversa expõe uma realidade que muitos preferem evitar: a educação é considerada importante nos discursos, mas nem sempre é tratada como prioridade nas decisões.
O trecho mais forte ainda está no podcast
Esta matéria apresenta apenas parte das declarações de Fábio Sousa.
No podcast completo, ele compara a carreira dos professores com outras categorias, explica por que a educação perdeu força política e revela o que precisa mudar urgentemente na rede pública do Distrito Federal.
▶️ Assista ao Podcast Rádio Corredor até o final e veja por que as declarações de Fábio Sousa devem provocar debate entre professores, governo e classe política.