A sete meses do primeiro turno das Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desenhou o tabuleiro da disputa proporcional para a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Hoje, são 25 partidos ou federações aptos a lançar candidatos às 24 vagas de deputado distrital. No teto teórico, isso significa 625 candidatos na disputa.
Mas esse número pode mudar já no próximo julgamento do TSE, marcado para 26 de março. Se a Corte aprovar a criação da Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, o total cai para 24 partidos ou federações e o teto desce para 600 candidatos.
Na prática, o DF pode ter hoje até 26,04 candidatos por vaga — um dos ambientes mais competitivos da história recente da disputa distrital.
O que o TSE considera “partido ou federação”
No sistema eleitoral brasileiro, federações funcionam como se fossem um único partido por pelo menos quatro anos. Por isso, o TSE não trabalha mais apenas com a contagem isolada das legendas. Para registro de candidaturas, divisão de tempo de propaganda, acesso ao Fundo Eleitoral e participação na disputa das sobras, a unidade considerada é “partido ou federação”.
Hoje, o quadro oficial é este:
| Etapa do cálculo | Número |
|---|---|
| Partidos com registro definitivo no TSE | 30 |
| Partidos que estão dentro de federações | -9 |
| Federações já homologadas | +4 |
| Total de partidos ou federações aptos | 25 |
Cada um desses grupos pode registrar até 25 candidatos a deputado distrital, porque a regra permite até 100% das vagas mais 1. Como a CLDF tem 24 cadeiras, o limite individual é 25.
| Item | Número |
|---|---|
| Vagas na CLDF | 24 |
| Máximo de candidatos por partido/federação | 25 |
| Total de partidos ou federações | 25 |
| Teto teórico de candidatos | 625 |
| Candidatos por vaga | 26,04 |
As 4 federações que já estão valendo hoje
Essas quatro federações já estão registradas e contam como uma única legenda para todos os efeitos eleitorais:
| Federação | Partidos que compõem | Aprovada em |
|---|---|---|
| Brasil da Esperança (Fe Brasil) | PT, PCdoB, PV | 24/05/2022 |
| PSDB Cidadania | PSDB, Cidadania | 26/05/2022 |
| PSOL REDE | PSOL, REDE | 26/05/2022 |
| Renovação Solidária | PRD, Solidariedade | 04/12/2025 |
Esses blocos já estão fechados e não podem ser desfeitos até 2030.
O julgamento de 26 de março que pode mudar tudo
O TSE vai analisar a criação da Federação União Progressista, que reuniria União Brasil e PP. Se houver aprovação, o cenário muda imediatamente: duas legendas deixam de disputar separadamente e passam a contar como uma única unidade eleitoral.
| Cenário | Partidos ou federações aptos | Máximo de candidatos | Candidatos por vaga |
|---|---|---|---|
| Situação atual (24/03/2026) | 25 | 625 | 26,04 |
| Após eventual aprovação da União Progressista | 24 | 600 | 25 |
Por que “candidatos por vaga” importa
Esse indicador mostra o nível real de competitividade da eleição. Quanto maior o número de candidatos por cadeira, maior a fragmentação da disputa e mais difícil se torna converter voto em mandato.
Na prática, uma federação a menos significa menos concorrentes na disputa proporcional, menos dispersão nas sobras e mais chance de blocos maiores concentrarem vagas.
O que esses números significam na prática para quem disputa 2026
Para o candidato: saber que a eleição pode ter até 625 nomes ajuda a medir o tamanho da briga. Em um ambiente tão pulverizado, cada voto útil passa a valer ainda mais.
Para o partido ou federação: a matemática da nominata influencia diretamente a estratégia. Menos competidores no sistema podem favorecer legendas mais estruturadas na disputa pelas sobras.
Para o eleitor: uma eleição com excesso de siglas e candidaturas costuma ampliar a confusão na escolha. Reduzir o número de unidades na disputa pode deixar o cenário mais compreensível.
O número real só será conhecido no registro das chapas
O total de 625 é apenas o teto teórico. O número final de candidatos só será conhecido entre 20 de julho e 15 de agosto de 2026, quando termina o período de registro das chapas. Historicamente, muitas legendas não conseguem preencher o limite máximo de nomes.
Ainda assim, o teto funciona como termômetro da temperatura política da eleição.
Próximos passos que o meio político do DF precisa acompanhar
O julgamento do TSE sobre a União Progressista virou peça central do planejamento eleitoral no DF. Se a federação for aprovada, muda a conta da fragmentação, altera a percepção de competitividade e obriga partidos, assessores e pré-candidatos a recalcular o cenário.
É o tipo de detalhe que parece técnico, mas pesa na montagem de nominata, na definição de estratégia territorial e na disputa pelas cadeiras mais apertadas.
Moral da história
Hoje, o DF tem 25 partidos ou federações aptos a disputar as 24 vagas de deputado distrital, com um teto de 625 candidatos e média de 26,04 nomes por vaga.
Se o TSE aprovar a Federação União Progressista em 26 de março, o cenário encolhe para 24 forças políticas, 600 candidatos e 25 candidatos por vaga.
No papel, a diferença parece pequena. Na política real, é o tipo de ajuste que pode decidir quem entra e quem fica de fora da Câmara Legislativa.