Republicanos aprendeu com 2022 e Joaquim Mauro virou o “Papai Joel” da nominata

Na convenção do Republicanos DF, procurei insatisfeitos com a estrutura partidária e não encontrei

Estive ontem na convenção do Republicanos DF e uma coisa chamou minha atenção: pela primeira vez em muito tempo, não encontrei ninguém reclamando do presidente ou da estrutura de um partido.

Apesar das brincadeiras que faço no Instagram, no perfil Odir Ribeiro DF, sempre cumpro minha obrigação como jornalista. Muitas vezes, inclusive, a brincadeira funciona como uma cortina de fumaça enquanto observo e investigo o que realmente está acontecendo nos bastidores.

Durante a convenção, procurei conversar principalmente com os candidatos considerados da cauda da nominata, aqueles que, pelo histórico eleitoral ou pela projeção atual, não aparecem inicialmente entre os favoritos. Perguntei como estava a estrutura, se existia assistência e como os candidatos estavam sendo tratados pelo partido.

A resposta foi praticamente a mesma: Joaquim Mauro, presidente do Republicanos DF, está presente, oferece assistência e mantém proximidade com os candidatos.

Há muito tempo eu não via um presidente partidário receber uma avaliação tão positiva entre os integrantes da própria nominata.

Uma nominata sem guerra de vaidades

O ambiente da convenção também dizia muito sobre o momento vivido pelo partido.

Jane Klébia estava integrada ao grupo, sem demonstrar vaidade. Fernando Fernandes circulava com naturalidade. O deputado distrital Martins Machado permanecia no meio dos demais candidatos, sem aquela distância que alguns políticos costumam criar depois de conquistarem um mandato.

Júlio César estava brincalhão. Fred Linhares parecia completamente à vontade, sem demonstrar arrogância ou a postura de quem se considera maior do que o restante da nominata.

Joaquim Mauro também não carregava aquela pompa típica de presidente de partido. Estava no meio de todos, conversando, articulando e demonstrando vontade de fortalecer não somente o próprio nome, mas toda a equipe.

Essa talvez seja sua principal habilidade: Joaquim Mauro se parece com aquele treinador de futebol que sabe administrar estrelas e convencê-las a jogar para o coletivo.

É uma espécie de Papai Joel Santana da política do Distrito Federal.

Republicanos pode eleger até quatro distritais

Se a assistência relatada pelos candidatos continuar durante toda a campanha, o Republicanos terá condições reais de trabalhar para eleger três deputados distritais.

Em uma previsão mais otimista, a legenda pode chegar a quatro cadeiras, especialmente se partidos menores e legendas de esquerda não conseguirem montar nominatas completas e competitivas.

O Republicanos parece ter aprendido com o erro cometido em 2022, quando concentrou sua força eleitoral em apenas dois candidatos capazes de puxar votos.

Desta vez, o cenário é diferente. A legenda apresenta mais equilíbrio e reúne vários nomes com potencial eleitoral.

Rodrigo Delmasso, por exemplo, já ultrapassou a marca dos 20 mil votos em uma eleição. Renata Aguiar é apontada por muita gente nos bastidores como uma candidata com possibilidade de chegar perto dos 30 mil votos.

Além deles, o partido possui nomes conhecidos, estruturas políticas diferentes e candidatos capazes de contribuir para o conjunto da nominata.

O fator Marcelinho Carioca

Também existe o fator Marcelinho Carioca.

Muita gente está subestimando o ex-jogador, mas ele possui algo que não pode ser ignorado: reconhecimento popular.

Além disso, Marcelinho já parece ter entendido um pouco melhor como funciona o jogo político de Brasília. Na convenção, foi possível perceber sua capacidade de mobilizar pessoas mesmo sem demonstrar uma estrutura eleitoral cara ou tradicional.

Marcelinho Carioca pode acabar se tornando um bônus importante para a legenda. Talvez não seja apenas um candidato. Pode funcionar como puxador de atenção, engajamento e votos para o conjunto do partido.

Tirar Marcelinho da disputa antes de a campanha começar pode ser um erro de avaliação.

O verdadeiro teste começa agora

Convenção é festa. Campanha significa pressão, disputa por espaço, dinheiro curto e necessidade de estrutura. O verdadeiro teste do Republicanos DF começa agora.

Mas estivemos na convenção, acompanhamos os bastidores, conversamos com candidatos de diferentes tamanhos e procuramos alguém disposto a reclamar da nominata ou da direção partidária.

Não encontramos.

Isso não garante a eleição de quatro deputados distritais, mas demonstra que o Republicanos inicia a disputa com algo raro na política: um grupo competitivo, aparentemente unido e comandado por um presidente que sabe lidar com estrelas sem permitir que elas se esqueçam da camisa que estão vestindo.

Joaquim Mauro montou o elenco. Agora precisará provar que, como Papai Joel Santana, também sabe fazer o time entrar em campo e entregar resultado.

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