Paula Belmonte oficializa sua candidatura ao Palácio Do Buriti e estrutura Impressiona

Paula Belmonte mostra força, mas a “palmolenguice” de Reguffe atrapalha o projeto

Uma convenção grande e cheia

Ontem estivemos na convenção que oficializou a candidatura de Paula Belmonte ao Governo do Distrito Federal. Como estávamos cobrindo outros eventos partidários, chegamos já no final. Mesmo assim, deu para perceber uma coisa com muita clareza: Paula apresentou uma estrutura impressionante.

Entre todas as convenções que acompanhamos até agora, a de Paula Belmonte foi a que aparentou reunir o maior público. Ela não teve medo de escolher um espaço grande e conseguiu ocupá-lo. Isso, na política, também é demonstração de força.

A presença de Aécio Neves e de integrantes da cúpula nacional do PSDB reforçou que o partido aposta seriamente em sua candidatura.

Estrutura não deve faltar

Paula Belmonte não conseguiu reunir grandes partidos em torno do seu projeto. Apesar disso, uma coisa parece não faltar à sua campanha: estrutura.

Esse fator pode fazer diferença em uma eleição na qual uma parcela expressiva do eleitorado ainda não decidiu em quem votar para o Governo do Distrito Federal, especialmente quando a pergunta é feita de maneira espontânea.

É justamente atrás desse eleitor que Paula precisa correr. Existe um espaço entre eleitores de centro, centro-direita e até de centro-esquerda. A questão é saber se sua campanha conseguirá apresentar a candidata, ampliar seu conhecimento e transformar essa estrutura em votos.

Sua candidatura também aposta em juventude, renovação e numa forma diferente de se apresentar ao eleitorado. Se Paula Belmonte ficar conhecida, poderá dar muito trabalho durante a campanha.

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O problema chamado Reguffe

O ponto mais delicado desse projeto, porém, não está exatamente em Paula Belmonte. Está na postura política do ex-senador José Antônio Reguffe.

E aqui preciso separar as coisas. Como pessoa, este colunista não tem nada contra Reguffe e não pretende atacar sua vida pessoal. A crítica é exclusivamente política.

Reguffe possui uma das maneiras mais difíceis de fazer política: demora para decidir, evita assumir posições claras e parece sempre esperar que o cenário fique perfeito. Só que eleição não espera ninguém.

A disputa pelo Senado está aberta. Michelle Bolsonaro e Leila do Vôlei aparecem, neste momento, como os nomes de maior destaque. Reguffe, caso assumisse uma candidatura ao Senado ou aceitasse participar da chapa como vice de Paula Belmonte, poderia acrescentar força eleitoral e conhecimento público ao projeto.

Mas a indefinição paralisa tudo.

Indecisão ou individualismo político?

Na minha avaliação, essa dificuldade permanente de tomar uma decisão transmite individualismo político. Passa a impressão de que Reguffe pensa primeiro em preservar o próprio capital eleitoral e somente depois no projeto coletivo.

É aí que entra a palavra que muita gente dos bastidores compreenderá perfeitamente: palmolenguice.

Na política, chega um momento em que é preciso escolher um lado, assumir riscos e caminhar. Como ensina a passagem bíblica, é preciso ser quente ou frio, porque a mornidão não conduz a lugar algum.

Reguffe poderia ser uma peça importante para impulsionar Paula Belmonte. Poderia ajudar a ampliar sua candidatura, atrair eleitores e dar ainda mais musculatura ao projeto. Para isso, entretanto, teria que sair da moita e abandonar essa postura de eterna indecisão.

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Paula pode surpreender

A convenção mostrou que Paula Belmonte tem estrutura, apoio nacional do PSDB e potencial eleitoral. Também mostrou que sua candidatura não deve ser tratada como figurante.

Se conseguir ficar conhecida por uma parcela maior da população, Paula poderá surpreender e incomodar os principais adversários.

O que falta é Reguffe decidir se pretende participar de verdade desse projeto ou continuar observando a eleição de longe.

Às vezes, as palavras doem. Mas algumas precisam ser ditas: Paula Belmonte tem potencial para crescer. O problema é que a palmolenguice política de Reguffe pode impedir que esse potencial receba o impulso que merece.

A política do DF é muito doida.

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